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O diamante da temporada: Marina faz show catártico no Lollapalooza 2026

  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Cantora prova por que o público brasileiro nunca a esqueceu


por Letícia Pinheiro, para o Vivendo de Shows



Foto oficial Lollapalooza Brasil - Diego Padilha
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Diego Padilha

Para entender o peso do show de Marina no Lollapalooza 2026, é preciso voltar a 2015. Escalada para o line-up na era FROOT, a cantora galesa ficou presa no aeroporto de Nova York por doze horas — e quando o voo foi finalmente cancelado, twittou que estava "devastada".

Prints dos tweets de Marina no X, em 2015.
Prints dos tweets de Marina no X, em 2015.

A redenção veio em 2016: ela subiu ao palco com um set especial que percorreu os três álbuns da carreira até então, foi ovacionada e declarou que cantar para aquele público era o que sempre quis na vida.

Em 2022 voltou, desta vez na era Ancient Dreams in a Modern Land, e eternizou o momento ao soltar um "Fck Putin! Fck Bolsonaro!" durante "Man's World" — conectando-se diretamente com o sentimento social do público brasileiro de uma forma que a transformou em muito mais do que estrela pop.


O Lollapalooza 2026 marcou sua terceira passagem pelo festival e a primeira sob a nova era: PRINCESS OF POWER, sexto álbum de estúdio lançado em 2025, após um hiato em que Marina mergulhou na literatura e publicou seu primeiro livro de poemas, Eat the World. O álbum estreou no top 2 do Billboard Top Dance/Electronic Albums e no top 7 do UK Albums Chart — resultado expressivo para um trabalho lançado de forma independente pelo próprio selo da artista, a Queenie Records.


O álbum contou com um hit que viralizou nas redes não só pela sonoridade, mas também pela estética: "CUNTISSIMO".


"CUNTISSIMO" é talvez a declaração mais direta que Marina já fez em forma de canção. A música ressignifica uma palavra historicamente ofensiva, transformando-a em símbolo de poder, autoconfiança e liberdade feminina  — com um sufixo italiano aplicado a uma palavra inglesa, criando algo tão absurdamente óbvio que surpreende que ninguém tenha inventado antes. A letra desfila referências com a precisão de quem sabe exatamente o que está fazendo: Salma Hayek, Madonna, Elizabeth Taylor, Rihanna, Sophia Loren e as personagens de Thelma e Louise — todas mulheres reconhecidas por independência, presença e pela recusa em se encolher. Baseada em suas inspirações, Marina também fez um cover de "Hung Up", de Madonna, em sua apresentação, unindo à canção própria, Metallic Stallion.

No Lollapalooza, a música ganhou ainda mais corpo ao vivo — um refrão feito para ser cantado em voz alta, num festival, sem nenhuma cerimônia.

O disco é possivelmente o mais expansivo e desafiador de sua carreira até hoje — uma virada para um synth-pop maximalist carregado de empoderamento, liberdade e crítica, bem diferente do indie pop piano-driven da era The Family Jewels ou da persona calculada de Electra Heart, o álbum tumblr-era que fez dela referência de uma geração inteira. Por falar na era Electra, o hit "Primadonna Girl" não podia faltar:



No Palco Budweiser, Marina priorizou as canções do novo álbum e apostou em uma estética teatral, equilibrando carisma, conceito e escolhas pouco convencionais — exatamente o que se espera de uma artista que nunca foi fácil de classificar.


A galesa não precisou de muito para provar por que o público brasileiro viaja quilômetros para vê-la: Adam Cruz e Pietro Santos, casal de 22 anos, cruzaram cerca de três mil quilômetros entre Belém e São Paulo só para estar na grade.


"Ela coloca muita personalidade em cada trabalho. Acho a Marina inovadora", resumiu Cruz, que, segundo ele próprio, não sairia de onde estava até o fim do show.

Difícil dar razão a quem foi embora antes.

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