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Turnstile faz um dos melhores shows da carreira no último dia de Lollapalooza 2026

  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Multidão que esperava pela banda cantou, fez mosh e acendeu sinalizadores do início ao fim por Letícia Pinheiro, para o Vivendo de Shows


Foto retirada da matéria do g1 sobre o show. Crédtos: Fabio Tito/g1
Foto retirada da matéria do g1 sobre o show. Crédtos: Fabio Tito/g1

Às 19h05 do domingo, 22 de março, o Palco Budweiser do Autódromo de Interlagos foi tomado de assalto. Pontuais — o que por si só já merece menção honrosa num festival — o Turnstile abriu sem cerimônia, sem aquecimento desnecessário, sem papo. Os primeiros acordes de NEVER ENOUGH explodiram no ar e foi isso: o contrato estava assinado. Não haveria saída fácil dali.



Abrir com a faixa-título do álbum recém-lançado foi uma escolha precisa e carregada de significado. Never Enough, quarto disco da banda de Baltimore, chegou ao mundo em junho de 2025 com uma estratégia de lançamento que dizia tudo sobre quem o Turnstile é: apresentações relâmpago em locais públicos, embaixo de viadutos, de graça, de surpresa, sem aviso. A ideia era simples e poderosa — essa música não é para ficar guardada em streaming. Ela existe no volume alto, no suor, no contato direto. E foi exatamente assim que ela soou neste domingo, com um Interlagos que rapidamente se descobriu mais cheio do que alguns esperavam.

Sim, a Lorde se apresentava ao mesmo tempo no Palco Galaxy. E sim, Tyler, the Creator fecharia o Budweiser logo depois, o que inevitavelmente trouxe um contingente de público que chegava cedo para garantir seu espaço. Houve quem achasse o espaço rarefeito. Mas quem estava ali, estava ali — concentrado, cantando cada palavra, com uma entrega que poucos artistas conseguem arrancar de uma plateia de festival.

Sinalizadores colorindo o ar. Mosh pit desde a segunda música. Muita, muita gente sabendo a letra. O Turnstile não precisou de multidão pra fazer o show parecer enorme porque fez o show ser enorme, e a plateia respondeu na mesma moeda. Tanto que o vocalista Brendan Yates se jogou em um crowdsurfing na plateia ao fim do show.

As 14 músicas percorreram diferentes fases da discografia com uma fluidez que só banda boa tem. De T.L.C. (Turnstile Love Connection) e ENDLESS logo no começo, passando pelo clássico Real Thing, até o tranco certeiro de BLACKOUT — indicada ao Grammy e que deve ter feito o pit engolir seco de saudade do GLOW ON. SEEIN' STARS e HOLIDAY, as músicas que levaram o Turnstile para o mundo e para as indicações ao Grammy em 2023, soaram como o que são: hinos.

Encerrar com BIRDS — a música que rendeu à banda o Grammy de Melhor Performance de Metal em 2026 — foi um presente. O começo, ao som de pássaros no escuro, parecia nos levar para um estado de transe.

Esta foi a quarta passagem do Turnstile pelo Brasil, e vale lembrar o caminho percorrido. Vieram pela primeira vez em 2016, ainda na turnê de Nonstop Feeling, num show no Hangar 110, em São Paulo — underground raiz. Em 2022, já no embalo do aclamado Glow On, apareceram no Lollapalooza Brasil pela primeira vez, de dia, em outro horário, numa configuração completamente diferente. Voltaram em 2024 para shows solo — no Rio de Janeiro, no Sacadura 154; em São Paulo, no Tokio Marine Hall.


A que vos fala teve o privilégio de estar no Sacadura 154, no Rio. À época, alguns acharam a escolha do local pequena demais. Discordo com toda a razão: o Turnstile nasceu tocando em pubs, em espaços apertados e com cheiro de underground. Aquele show no Sacadura trouxe exatamente essa atmosfera — a sensação de comunidade comprimida, de estar perto demais de tudo, que é a essência do hardcore. A única coisa que faltou foram as pessoas se jogando do palco pro mosh — mas pelo menos a cena permaneceu de pé.

Agora, em 2026, a banda chega à noite, no palco principal, como vencedora do Grammy de Melhor Álbum de Rock e de Melhor Performance de Metal. A trajetória é uma linha reta de consistência e crescimento — de debaixo de viadutos a Interlagos.


Bands come and go. Hypes aparecem e somem. O Turnstile permanece porque entende, de forma instintiva e visceral, que música ao vivo é experiência coletiva. O palco do Lollapalooza Brasil 2026 foi mais um capítulo dessa prova. Sinalizadores no ar, vozes em uníssono, um pit que não parou de se mover e uma criança negra feliz na grade usando fone abafador gritando pra vida toda.

O hardcore está vivo. E ele está em ótimas mãos.

Setlist:

  1. Never Enough

  2. T.L.C. (Turnstile Love Connection)

  3. Endless

  4. I Care

  5. Dull

  6. Don't Play

  7. Real Thing

  8. Sole

  9. Seein' Stars

  10. Holiday

  11. Look Out for Me

  12. Mystery

  13. Blackout

  14. Birds

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