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Primeiro dia de Lollapalooza celebrou encontro de novatos, veteranos e gĂȘneros musicais

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  • 13 min de leitura

Deftones, Interpol, Kygo e mais: o primeiro dia do Lollapalooza 2026 em show a show


por LetĂ­cia Pinheiro, para o Vivendo de Shows

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss

O primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026 distribuiu atraçÔes por trĂȘs palcos com perfis bem distintos: o peso do rock e do metal alternativo no Samsung Galaxy, a pluralidade pop e indie no Flying Fish, e a energia eletrĂŽnica no Perry's. A seguir, a cobertura completa — show a show dos palcos mencionados. JĂĄ avisamos, Ă© textĂŁo! (risos)



PALCO SAMSUNG GALAXY

Ginger and the Peppers   Abertura · Nacional · Vencedores do Temos Vagas — 89 FM A RĂĄdio Rock

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss

Vencedores do concurso Temos Vagas, promovido pela 89 FM A Rådio Rock, a banda estreou no festival abrindo o Palco Samsung Galaxy. Uma oportunidade rara e merecida para uma atração que chegou pelo voto da comunidade.


A banda, original de SĂŁo Paulo, foi formada em 2020, quando cinco amigos decidiram unir o amor pelo rock em algo maior. A banda transita por rock alternativo, rock clĂĄssico, folk e psicodĂ©lico, sempre ancorada em uma estĂ©tica vintage que, paradoxalmente, soa atual — o que os prĂłprios integrantes definem como "som vintage com composiçÔes modernas". Assinados pela GGB Records, selo dedicado a artistas brasileiros que cantam em inglĂȘs, o grupo formado pela vocalista Julia Dillon, pelos guitarristas AlĂȘ Masili e Paulo Gonzaga, pelo baixista Itto Menezes e pelo baterista J.P. Masella jĂĄ acumula atenção internacional com o single de estreia "Out of Phase", que aborda amor, dor e renascimento. Subir ao Lollapalooza como abertura do palco principal, portanto, nĂŁo foi um passo coerente com a trajetĂłria de uma banda que acredita, com convicção, que o rock tem muito a dizer sobre os tempos em que vivemos.

Terraplana Nacional · Curitiba-PR

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss

A banda curitibana levou suas guitarras retorcidas ao Lollapalooza percorrendo a própria trajetória em um set que passou pelos diferentes momentos da carreira. Uma apresentação que mostrou maturidade e identidade sonora bem definida. Com uma vibe bem parecida dos shows de bandas internacionais como Slowdive e Deafheaven, nas quais jå foram opening act. Lançado pela Balaclava Records, a banda segue expandindo o shoegaze com camadas de pós-hardcore e slowcore. Conhecida na cena indie e alternatva brasileira, a banda ja tocou em festivais como Balaclava Fest, 5 Bandas, Se Rasgum e Coolritiba.


Setlist destacado: Salto no escuro · Amanhecer

Viagra Boys  · Suécia · Estreantes no festival e no Brasil

Reprodução de print da matéria da Veja. Retirado da transmissão ao vivo do Multishow.
Reprodução de print da matéria da Veja. Retirado da transmissão ao vivo do Multishow.


Os suecos mostraram toda a acidez caracterĂ­stica da banda em um show marcado pela interação intensa com o pĂșblico. A primeira apresentação da banda em um festival no Brasil foi carregada de energia, rodas punk, bom-humor, polĂ­tica e sarcasmo.

Para quem ainda nĂŁo conhece a banda: pense no caos controlado e na ironia afiada do The Hives, na grooveira pesada e cinematogrĂĄfica do Queens of the Stone Age, na energia crua e sem freio do Eagles of Death Metal e na selvageria direta ao ponto do Amyl and the Sniffers — a Viagra Boys mora exatamente nessa interseção. É rock que incomoda de propĂłsito, com letras que oscilam entre o absurdo e o desconcertantemente honesto, servidas em cima de riffs que grudam na cabeça mesmo quando vocĂȘ nĂŁo quer. Se qualquer um desses nomes faz parte da sua playlist, Ă© crime nĂŁo conhecer. Quem esteve no sideshow de quinta-feira (19) na Audio, em SĂŁo Paulo, jĂĄ sabia o que esperar dos suecos — e nĂŁo foi decepcionado. Com ingressos esgotados, a noite reuniu Viagra Boys e Interpol em um dos eventos paralelos mais aguardados da semana do Lollapalooza, funcionando como um aquecimento Ă  altura para o que viria no festival.


Sebastian Murphy (vocal), Linus Hillborg (guitarra), Elias Jungqvist (teclados), Henrik "Benke" Höckert (baixo), Tor SjödĂ©n (bateria) e Oskar Carls (guitarra-saxofone) entregaram exatamente a mistura de garage, pĂłs-punk e hardcore caĂłtico que os fĂŁs aguardavam — alguns deles desde o cancelamento da apresentação no Primavera Sound 2022.  O setlist percorreu os quatro ĂĄlbuns da discografia, entregando um retrato completo da carreira.. A energia intensa fez com que o tecladista Elias Jungqvist descesse ao meio da plateia no encerramento.


Setlist destacado: Research Chemicals · Man Made of Meat

Interpol Veteranos · EUA

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Lali Moss


Com uma performance tecnicamente impecĂĄvel, carregada da atmosfera melancĂłlica que tornou a banda referĂȘncia do pĂłs-punk americano, os veteranos do Interpol sempre entregam um espetĂĄculo. O set foi aberto com 'All the Rage Back Home' e nĂŁo poupou os clĂĄssicos mais aguardados da carreira. O Interpol e o Brasil tĂȘm uma histĂłria longa e fiel. A banda esteve no paĂ­s pela primeira vez em 2008, retornou em 2011 e marcou presença tambĂ©m nas ediçÔes de 2015 e 2019 do Lollapalooza Brasil. A Ășltima passagem antes desta edição foi em 2022, quando o grupo participou da primeira edição do Primavera Sound SĂŁo Paulo. Em 2024, a banda voltou para uma sĂ©rie especial de shows: a turnĂȘ celebrou as duas dĂ©cadas dos ĂĄlbuns "Turn on the Bright Lights" (2002) e "Antics" (2004), tocados na Ă­ntegra — algo que, segundo o guitarrista Daniel Kessler, nunca havia sido feito em lugar nenhum antes.


O Lollapalooza 2026 marcou a terceira passagem da banda pela versĂŁo brasileira do festival reforçando uma relação construĂ­da show a show com um pĂșblico que, a cada visita, canta junto e relembra momentos de quem viveu bem os anos 2000.


Setlist destacado: All the Rage Back Home · Evil · Slow Hands



Deftones Headliner · Sacramento-CA

Reprodução de print da matéria do g1. Retirado da transmissão ao vivo do Multishow.
Reprodução de print da matéria do g1. Retirado da transmissão ao vivo do Multishow.

O Lollapalooza 2026 marcou a sexta visita do Deftones ao Brasil — e a primeira em mais de uma dĂ©cada. A estreia em solo brasileiro aconteceu no Rock in Rio 2001, quando a banda dividiu o Palco Mundo com Capital Inicial, Silverchair e Red Hot Chili Peppers.

A segunda aparição veio em 2007, em show solo em São Paulo.



Em 2009, a banda integrou o line-up do MaquinĂĄria Festival; em 2011, se apresentou ao lado do Cypress Hill na capital paulista. Em 2015, o grupo retornou ao local da estreia como headliner do Palco Sunset no Rock in Rio e aproveitou a viagem para tocar no dia seguinte na Arena Anhembi, abrindo para o System of a Down.

Também rolou esse momento inesquecível no Rock in Rio, vem relembrar:

Depois disso, onze anos de silĂȘncio com negociaçÔes frustradas, pandemia e a ausĂȘncia do guitarrista Stephen Carpenter, que nĂŁo faz turnĂȘs fora dos Estados Unidos desde 2022 por questĂ”es relacionadas Ă  ansiedade de viajar. O retorno, portanto, foi recebido com uma descarga de expectativa acumulada que poucos shows conseguem carregar — e Deftones, como de costume, sabe exatamente o que fazer com isso. O Lolla 2026 aconteceu em um momento muito especĂ­fico da carreira da banda: o lançamento de private music, dĂ©cimo ĂĄlbum da banda, havia sido recebido pela crĂ­tica com um entusiasmo que a banda nĂŁo via hĂĄ anos. No Metacritic, o ĂĄlbum atingiu nota 90 em 100 — classificação de "aclamação universal" — e o NME concedeu cinco estrelas, descrevendo-o como uma jornada por uma febre expansiva, ao mesmo tempo espiritual e direta, concluindo que os pares da banda simplesmente nĂŁo chegam perto.

Para muitos crĂ­ticos, foi o maior hype em torno de um novo disco dos Deftones desde White Pony, no inĂ­cio dos anos 2000. O ĂĄlbum ainda foi indicado ao Grammy de Melhor Álbum de Rock na 68ÂȘ edição da premiação.

No palco, os veteranos de Sacramento fizeram questĂŁo de dar ao novo material o espaço que ele merece. Das 19 mĂșsicas do set, cinco vieram de private music: "My Mind Is a Mountain", "Locked Club", "Ecdysis", "Infinite Source" e "Milk of the Madonna" — esta Ășltima encerrada com o outro de "Souvenir", em um momento belĂ­ssimo ao vivo. O restante da noite foi uma aula de curadoria: clĂĄssicos como "Be Quiet and Drive (Far Away)", "Diamond Eyes", "Sextape", "Change (In the House of Flies)" e "Cherry Waves" conviveram com raridades e com a brutalidade direta de "7 Words" no encore, do icĂŽnico ĂĄlbum de estreia Adrenaline, fechando uma das apresentaçÔes mais completas (e nada mornas) do festival.

Setlist destacado: Be Quiet and Drive (Far Away) · Cherry Waves · Diamond Eyes


PALCO FLYING FISH

Worst Nacional · São Paulo-SP · Abertura

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur


Abrir o Palco Flying Fish no primeiro dia do Lollapalooza nĂŁo Ă© tarefa fĂĄcil — mas a Worst chegou exatamente preparada para isso. A banda paulistana, formada na cena underground de SĂŁo Paulo, construiu sua trajetĂłria da forma mais honesta possĂ­vel: casas de show menores, festivais independentes e turnĂȘs ao lado de nomes do hardcore e do metal mundial, acumulando um pĂșblico fiel que nĂŁo precisa de grandes palcos para reconhecer qualidade. O som Ă© pesado sem concessĂ”es — riffs agressivos, presença de palco intensa e letras que falam sobre o que Ă© viver em grandes centros: pressĂŁo social, desigualdade, estresse e a resistĂȘncia cotidiana de quem nĂŁo tem tempo para suavizar o discurso. Com raĂ­zes no hardcore e forte influĂȘncia do metal e do crossover, a Worst representa um movimento que vem crescendo dentro dos grandes festivais brasileiros: o som pesado finalmente ocupando o espaço que sempre mereceu.

Scalene Nacional · 3ÂȘ vez no Lollapalooza

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur

Em sua terceira passagem pelo Lollapalooza, a Scalene voltou ao festival apĂłs um hiato que se estendeu de 2022 atĂ© o ano passado. A volta foi recebida com o carinho de quem esperou: o pĂșblico cantou junto e nĂŁo deixou passar "Entrelaços" sem o ritual coletivo que a mĂșsica exige.

Setlist destacado: Entrelaços Ruel Austrålia · Estreia no festival

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur

Com camisa do Brasil e Ăłculos modelo Juliet, o australiano chegou ao Palco Flying Fish como quem jĂĄ conhece o ritual. Aos 23 anos, Ruel carrega uma trajetĂłria que começou aos 14 — o que significa quase uma dĂ©cada de estrada em um artista que ainda estĂĄ longe do teto. Ao longo de trĂȘs EPs e dois ĂĄlbuns de estĂșdio, acumulou mais de trĂȘs bilhĂ”es de streams e quatro turnĂȘs mundiais esgotadas, alĂ©m de apariçÔes no Coachella e uma performance solo no Camp Flog Gnaw de Tyler, the Creator. O som transita por um pop de alma indie, com letras vulnerĂĄveis e vocais que, desde cedo, chamaram atenção — Elton John, ao ouvir o single "Don't Tell Me" na BBC Radio 1, o descreveu como a voz mais incrĂ­vel que jĂĄ ouviu em um cantor de 14 anos. O ĂĄlbum mais recente, Kicking My Feet, consolidou uma nova fase mais madura e introspectiva da carreira. No Lollapalooza, o set transitou dos destaques do inĂ­cio da carreira aos sucessos recentes, com o pĂșblico brasileiro — que ele mesmo jĂĄ classificou como um dos mais apaixonados que conheceu — respondendo Ă  altura em cada momento.


Setlist destacado: Kicking My Feet · The Suburbs

Men I Trust Canadå · Estreia no festival

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur

O trio de Montreal foi fundado em 2014 por Jessy Caron e Dragos Chiriac, dois amigos de escola que se reencontraram no departamento de mĂșsica da UniversitĂ© Laval. Emmanuelle Proulx se juntou pouco depois, assumindo os vocais e a guitarra. O que veio em seguida foi uma das trajetĂłrias mais sui generis da cena indie contemporĂąnea: sem gravadora, sem assessoria de imprensa, sem empresĂĄrio. A ascensĂŁo do trio foi lenta, medida e completamente autogerida — uma postura que, longe de limitar o alcance da banda, provou que um som discreto faz as pessoas se inclinarem para ouvir. A mĂșsica, por sua vez, tem alma prĂłpria: dream pop de respiração longa, com batidas eletrĂŽnicas suaves, guitarras aquecidas e vocais que parecem sempre estar prestes a sumir no ar. No Palco Flying Fish, essa atmosfera densa chegou intacta — construĂ­da em cima dos hits que jĂĄ definem uma identidade inconfundĂ­vel, com "Show Me How" e "Come Back Down" provocando o tipo de silĂȘncio coletivo que sĂł acontece quando uma mĂșsica realmente alcança.


Setlist destacado: Show Me How · Come Back Down


Edson Gomes   Nacional · Bahia · Headliner

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Dopamine Blur

Nascido em Cachoeira, no RecĂŽncavo Baiano, Edson Gomes Ă© amplamente considerado o maior nome da histĂłria do reggae no Brasil. Em 1983, jĂĄ com tranças rastafĂĄri, conheceu a mĂșsica de Bob Marley atravĂ©s do baixista Nengo Vieira — e o reggae se tornou a linguagem perfeita para uma mensagem que ele jĂĄ carregava. Em 1988 lançou Reggae ResistĂȘncia, um dos ĂĄlbuns mais importantes do gĂȘnero no paĂ­s, e ao longo das dĂ©cadas seguintes construiu uma discografia marcada por desigualdade social, racismo e as contradiçÔes do cotidiano brasileiro, com uma linguagem sempre direta. MĂșsicas como "Perdido de Amor", "Malandrinha" e "Samarina" foram tĂŁo alĂ©m do reggae que ganharam regravaçÔes no axĂ©, no forrĂł e em outros ritmos — sinal de que a canção sempre foi maior que o gĂȘnero. Sobre o prĂłprio legado, Edson Ă© conciso:

"Se eu quisesse nem cantaria. A galera canta tudo."

A apresentação no Lollapalooza 2026 marcou sua estreia no festival, algo celebrado desde o anĂșncio do line-up — nĂŁo sĂł pela raridade do reggae no evento, mas pelo reconhecimento tardio, porĂ©m justo, a mais de cinco dĂ©cadas de resistĂȘncia. O baiano fechou o Flying Fish reafirmando exatamente isso: a conexĂŁo direta com o pĂșblico, a força das mensagens e a naturalidade de quem sabe que nĂŁo precisa de mais nada alĂ©m da prĂłpria obra para segurar um palco.


Setlist destacado: Malandrinha


PALCO PERRY'S

Camila Jun   Estreia no festival

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch

Camila Jun foi quem teve a honra de inaugurar o palco no Lollapalooza 2026 — tornando-se a primeira artista a se apresentar no espaço nesta edição. Para ela, o momento foi alĂ©m do profissional: alguĂ©m que por anos esteve do outro lado da grade, como pĂșblico, finalmente subia ao palco que tanto admirou. Bruna Strait   Estreia no festival · part. BĂĄrbara Grando


Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer

Estreou no Lollapalooza com a participação especial de BĂĄrbara Grando, com quem dividiu o palco em 'Can't Get You Out of My Mind'. A dupla ainda apresentou em primeira mĂŁo ao pĂșblico do festival 'Something Beautiful', gerando expectativa.

Setlist destacado: Can't Get You Out of My Mind · Something Beautiful (estreia ao vivo) ATKO  Estreia no festival

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch

Nome jĂĄ consolidado da mĂșsica eletrĂŽnica brasileira, Thiago Mansur chegou ao Perry's como artista em plena reinvenção. Com mais de 50 festivais ao redor do mundo no currĂ­culo, liderança em rankings nacionais e uma discografia que ultrapassa 1,5 bilhĂŁo de streams, Mansur Ă© uma das vozes mais consistentes de sua geração, capaz de transitar entre o mainstream e a experimentação sem perder identidade.

No Lollapalooza 2026, ele apresentou o projeto ATKO — trabalho com menos de um ano de existĂȘncia, mas com ambição e identidade artĂ­stica bem definidas. O set foi majoritariamente autoral, reunindo lançamentos recentes, inĂ©ditas e remixes oficiais, e a apresentação foi concebida como uma experiĂȘncia imersiva: mĂșsica, narrativa e imagem articulados em um gesto coeso, com visuais de telĂŁo criados especificamente para o festival. A trajetĂłria pessoal do artista tambĂ©m atravessou o espetĂĄculo — da infĂąncia tocando bateria em uma banda gospel, passando pela produção de trilhas para moda, atĂ© os grandes palcos eletrĂŽnicos. Aline Rocha  Estreia no festival


Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer

Aline Rocha Ă© um dos nomes mais sĂłlidos da house nacional — e a escolha pelo Lollapalooza nĂŁo foi por acaso. Seus sets tĂȘm uma caracterĂ­stica rara: constroem a pista com paciĂȘncia, groove e uma leitura do pĂșblico que dispensa fĂłrmulas previsĂ­veis. Joga em casa, pois jĂĄ Ă© veterana de clubes e festivais importantes do circuito brasileiro. Horsegiirl Alemanha · DJ

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch


A DJ alemĂŁ que preserva a identidade visual abriu com seu mais novo single e comandou um setlist denso em influĂȘncias de trance e techno, animando o Perry's com precisĂŁo e energia.

Setlist destacado: Only the Best (single novo)

BUNT .

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch

BUNT. passou o set inteiro pulando no palco do Perry's — e a plateia nĂŁo ficou atrĂĄs. O alemĂŁo entregou uma apresentação enĂ©rgica e tecnicamente precisa, transitando do stutter house ao hard techno com fluidez. O momento mais marcante veio de um mashup que uniu vocais de funk brasileiro Ă  velocidade do hard techno, arrancando a resposta mais alta do pĂșblico da noite. O encerramento com "What If You Fly" — releitura de "Sweet Disposition", da The Temper Trap — fechou o set com o equilĂ­brio certo entre intensidade e emoção.

Ben Bohmer

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer

Nascido em Göttingen, na Alemanha rural, Ben Böhmer cresceu entre aulas de piano e trompete antes de descobrir a mĂșsica eletrĂŽnica aos 17 anos, quando seu irmĂŁo mais velho o apresentou ao techno e ao filme Berlin Calling. A virada veio em 2016 com "Promise You", que ganhou tração orgĂąnica no SoundCloud e abriu as portas para o selo Anjunadeep, referĂȘncia global do melodic house. Em 2020, sua performance ao vivo gravada a bordo de um balĂŁo de ar quente a mil metros de altitude no deserto da Turquia para o Cercle se tornou um dos vĂ­deos mais assistidos da plataforma, com mais de dez milhĂ”es de visualizaçÔes nos primeiros seis meses— o tipo de imagem que define uma era. No Perry's, toda essa sensibilidade chegou ao Lollapalooza num set generoso em clĂĄssicos e de construção atmosfĂ©rica caracterĂ­stica. Problemas tĂ©cnicos de som surgiram cedo e exigiram de Böhmer uma resiliĂȘncia que poucos artistas demonstram com tanta naturalidade: quando os graves voltaram a assentar, a pista respondeu como se nunca tivesse saĂ­do do lugar.

DJ Diesel (Shaquille O'Neal)   Entrada pirotécnica

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Vans Bumbeer


Entrada com pirotecnia e carisma à altura do personagem. Também vestido com camisa do Brasil, o ex-astro do basquete mostrou que os palcos jå são território seu, pedindo as mãos da plateia desde os primeiros segundos e mantendo a energia em alta.



Kygo Noruega · Headliner · Encerramento do Dia 1

Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch
Foto oficial Lollapalooza Brasil - Alex Woloch


Kyrre GĂžrvell-Dahll — o Kygo — começou a ter aulas de piano aos seis anos, e foi justamente o piano que nunca o abandonou, mesmo quando a mĂșsica eletrĂŽnica entrou em cena.  Por achar difĂ­cil sobreviver da mĂșsica, foi estudar economia em Edimburgo — mas nos tempos livres, continuava remixando faixas no estilo tropical house e postando nas redes. Quando os remixes chegaram a dezenas de milhĂ”es de visualizaçÔes, Avicii e Chris Martin entraram em contato, e a economia ficou definitivamente de lado.  Em 2013, o remix de "I See Fire", de Ed Sheeran, o colocou no radar internacional. Em 2014 viria "Firestone", o primeiro single original, que consolidou de vez a identidade sonora que o mundo passaria a conhecer. Ainda em 2015, Kygo se tornou o artista a atingir um bilhĂŁo de streams no Spotify mais rapidamente na histĂłria da plataforma. Em 2016, fez histĂłria ao se apresentar na CerimĂŽnia de Encerramento dos Jogos OlĂ­mpicos do Rio de Janeiro — algo que nenhum DJ havia conseguido antes. Em 2019, lançou "Higher Love" com vocais de Whitney Houston, que cruzou um bilhĂŁo de reproduçÔes e apresentou a voz da cantora a uma geração inteira que ainda nĂŁo a havia descoberto. No Perry's, toda essa trajetĂłria cabou em um encerramento Ă  altura: hits, pirotecnia e a sensação de que o primeiro dia do Lollapalooza 2026 nĂŁo poderia ter terminado de outra forma.



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