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De Pitty a Baco Exu do Blues: como o MADA antecipou grandes nomes da música brasileira

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Festival potiguar construiu sua história apostando em artistas que ainda despontavam e se consolidou como uma vitrine da nova música brasileira.


Por Juan Nobre, da Macete Music, para o Vivendo de Shows.


Créditos: @luanatayze
Créditos: @luanatayze

Muito antes de os algoritmos influenciarem a descoberta de artistas, o Festival MADA já exercia esse papel a partir da curadoria. Desde o fim dos anos 1990, o evento realizado em Natal se tornou um espaço onde diferentes gerações da música brasileira se encontram e onde muitos artistas deram passos importantes antes de alcançarem projeção nacional.


Um dos exemplos mais marcantes aconteceu em 2003. Naquele ano, Pitty fez sua estreia em festivais justamente no palco do MADA. Na época, a cantora ainda dava os primeiros passos da carreira e estava prestes a conquistar o país com o álbum Admirável Chip Novo. A apresentação em Natal acabou entrando para a história do festival como um dos casos mais emblemáticos de um artista recebido antes do grande reconhecimento nacional.


Ao longo de quase três décadas, esse roteiro se repetiu diversas vezes.


Criado em 1998, o Festival MADA acompanhou diferentes transformações da música brasileira e abriu espaço para artistas que mais tarde se tornariam protagonistas de suas cenas. Mais de 700 atrações já passaram pelos palcos do evento, entre nomes consagrados e apostas que, anos depois, ganhariam destaque em todo o país.


Essa característica, segundo Jomardo Jomas, fundador e diretor do festival, nunca foi resultado do acaso.


"Desde o início, o MADA sempre teve um olhar para a música brasileira com muita curiosidade e sensibilidade. Ao longo desses 28 anos, tivemos o prazer de acompanhar o surgimento de muitos artistas no festival que depois conquistaram o país, e continuamos mantendo sempre esse olhar atento para os novos nomes que renovam e turbinam a música brasileira", afirma.

Outro artista que passou pelo festival antes da consolidação nacional foi Baco Exu do Blues. O rapper baiano realizou no MADA seu primeiro show em um grande festival, anos antes de se tornar um dos principais nomes da música brasileira contemporânea.


A lista também inclui Djonga, que já destacou em entrevistas a importância do circuito de festivais para ampliar seu alcance pelo país. Os Detonautas viveram momento semelhante ao se apresentarem no evento durante uma fase importante de crescimento da banda.


A história do MADA também é marcada por encontros que dificilmente aconteceriam em outros palcos. Em 2014, Di Melo e Gerson King Combo dividiram a programação em uma apresentação que reuniu dois nomes fundamentais da música negra brasileira. O festival ainda recebeu o Cansei de Ser Sexy em sua única apresentação realizada no Nordeste e acompanhou o crescimento de movimentos que renovaram a cena independente dos anos 2000.


Ao longo dos anos, o evento transitou naturalmente entre rock, rap, reggae, música eletrônica, samba, pop e outras sonoridades, mantendo uma programação que combina artistas consolidados com nomes que começam a ganhar espaço no cenário nacional.


"O Festival MADA se estabeleceu como uma plataforma para que artistas encontrem novos públicos, e é interessante perceber que isso se manteve como uma característica do festival ao longo das décadas. Ao buscar manter um olhar atento para a cena independente e apostar em novos movimentos da música brasileira, o MADA acabou acompanhando trajetórias que hoje ocupam lugar de destaque no país. Trabalhando há dez anos no festival, percebo que isso nunca foi coincidência, mas resultado de uma curadoria construída com atenção, pesquisa e escuta", destaca Pedro Barreira, diretor artístico do festival.

A edição de 2026 mantém essa tradição. O line-up reúne artistas de diferentes gerações, como Marina Sena, Emicida, Zeca Pagodinho, Gaby Amarantos, Duquesa, Luiz Lins e Tribo de Jah convida Célia Sampaio, além de abrir espaço para nomes em ascensão como Bia Soull, NandaTsunami, SouRebel + Núbia, Africanoise e Cabra Guaraná.


Mais do que revelar artistas antes da fama, o MADA construiu uma identidade ligada à circulação da música brasileira independente e ao fortalecimento de novas cenas. Em quase 30 anos de história, acompanhou mudanças no mercado fonográfico, nas formas de consumo e na maneira como o público descobre novos artistas, sem abrir mão da proposta que marcou sua origem.


"Mais do que acompanhar a história da música brasileira, o MADA se orgulha de fazer parte dela. Seguimos acreditando na força dos encontros, na diversidade das cenas e na importância de abrir espaço para artistas que ajudam a construir o presente e o futuro da nossa música", afirma Jomardo.


Nos dias 16 e 17 de outubro de 2026, o festival volta à Arena das Dunas, em Natal, reafirmando uma vocação construída desde 1998: olhar para a frente sem perder de vista a diversidade e a força da música brasileira.


Serviço


🎤 Evento: Festival MADA 2026

📍 Local: Arena das Dunas

📌 Endereço: Av. Prudente de Morais, 5121, Lagoa Nova, Natal (RN)

📅 Data: 16 e 17 de outubro de 2026

Horário: Não divulgado

🔞 Classificação etária: Não informada

💰 Ingressos: À venda

🎟 Venda: Clique aqui

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