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Tyler, the Creator encerra o Lollapalooza 2026 com show repleto de carisma e hits

  • há 52 minutos
  • 3 min de leitura

Quinze anos de espera. Uma geração cresceu com Tyler sem nunca tê-lo visto ao vivo. Na noite de domingo, a conta foi paga com juros


por Letícia Pinheiro, para o Vivendo de Shows

Tyler, the Creator, em apresentação no último dia do Lollapalooza. Print retirado da transmissão ao vivo no Multishow.
Tyler, the Creator, em apresentação no último dia do Lollapalooza. Print retirado da transmissão ao vivo no Multishow.

Pra quem ainda não conhece: Tyler Gregory Okonma, 34 anos, é o tipo de artista que nasce uma vez por década. Fundador do coletivo Odd Future, que veio ao Brasil no extinto e saudoso festival SWU. Produtor, diretor, figurinista e narrador de si mesmo, ele não lança discos — lança universos. Cada era tem personagem, estética e trilha próprios: do anarquismo adolescente do Bastard ao amor rejeitado de Flower Boy, do alter ego esquizofrênico de Igor ao nostálgico Call Me If You Get Lost. Relembre a passagem de Tyler no SWU (2011):

Poucos artistas da geração dele constroem narrativas visuais e sonoras com essa coerência.

Ele havia sido escalado para o Lolla em 2018 e cancelou. Quando o nome voltou ao lineup deste ano, viralizou. E o público que apareceu em Interlagos sabia exatamente o que estava fazendo ali.

"Tyler, gostoso!" — gritado da plateia. Ele parou, virou, sorriu e até repetiu.

O repertório foi cirúrgico: hits de várias eras, com peso especial em Igor e Flower Boy. Muita gente apareceu de peruca loira — a referência visual mais reconhecível de Igor, o alter ego atormentado que ele habitou em 2019. Era carnaval de afeto, e Tyler sabia.


O amor pelo Brasil não foi protocolar. Tyler já postou no Twitter que admira Gal Costa, que referencia música brasileira na sua produção. Também mencionou em um dos momentos de conversa com o público o quanto admira Gal, João GIlberto e Marcus Valle.


Print de tweet com resposta de Gal ao post de Tyler, em 2017.
Print de tweet com resposta de Gal ao post de Tyler, em 2017.


As 21 músicas contaram uma história deliberada. O show abriu com Big Poe, do último álbum, DON'T TAP THE GLASS. Depois, seguiu pesado em Chromakopia (2024) — com quatro faixas seguidas: St. Chroma, Rah Tah Tah, Noid e Darling, I. É uma declaração: Tyler não veio fazer nostalgia, veio apresentar quem ele é agora. Chromakopia é um disco sobre identidade, pressão da fama e a voz da mãe como consciência — mais maduro, mais denso, e aparentemente feito pra palco, porque abriu a noite como soco.

Depois disso, virou viagem no tempo. O miolo do show percorreu Igor com força — EARFQUAKE, I THINK, ARE WE STILL FRIENDS? — e mergulhou em momentos de Flower Boy. Flower Boy e Igor são seus dois álbuns mais amados pela crítica e pelo público mais fiel, e o show os tratou como o coração do catálogo que são. Clássicos como She, Who Dat Boy e Tamale apareceram em versões encurtadas. Esta última, com uma versão pra lá de especial. Ganhou um remix de funk elementos de afrobeat no telão, mostrou a bandeira verde e amarela e um letreiro escrito "São Paulo" — certinho, nada de "San Paolo" o que só tornou a homenagem mais humana. Agradeceu várias vezes em português. Parecia genuíno porque provavelmente era.

Irônico que o show do Lolla aconteça exatamente no contexto do seu lançamento mais recente. Em julho de 2025 — apenas nove meses depois de Chromakopia e, curiosamente, no aniversário de 8 anos de Flower Boy — Tyler surprise-dropou DON'T TAP THE GLASS, seu nono álbum de estúdio. Tyler foi explícito no Twitter ao desmentir o fake tracklist que circulou com features de Kendrick Lamar e Earl Sweatshirt, e deixou claro que desta vez queria "ser bobo de novo" — um disco pra dançar, sem a densidade introspectiva de Chromakopia. E é exatamente isso que o álbum entrega. E ao vivo, ficou bem explícito. Com apenas 28 minutos e 30 segundos — o mais curto da sua discografia — DON'T TAP THE GLASS é eletro, funk, house e dance costurados com a produção toda de Tyler. Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi "Sugar On My Tongue", single viralizado do rapper:





Faz sentido: quando Tyler decide ser "bobo", ele é o mais inteligente da sala.

O encerramento foi com "SEE YOU AGAIN", feat com Kali Uchis, amiga e parceira de longa data, cantada a plenos pulmões pelos fãs.



Que não demorem mais quinze anos pra voltar.

Setlist

  1. Big Poe

  2. St. Chroma

  3. Rah Tah Tah

  4. Noid

  5. Darling, I

  6. Sugar on My Tongue

  7. Ring Ring Ring

  8. Tell Me What It Is

  9. Who Dat Boy (shortened)

  10. ARE WE STILL FRIENDS? (shortened)

  11. BEST INTEREST (shortened)

  12. She (shortened)

  13. SWEET / I THOUGHT YOU WANTED TO DANCE

  14. WUSYANAME (shortened)

  15. IFHY

  16. I THINK

  17. EARFQUAKE

  18. Tamale

  19. I Hope You Find Your Way Home (shortened)

  20. Like Him

  21. NEW MAGIC WAND

  22. See You Again (extended intro)

  23. I'll Take Care of You

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