Sem algoritmos e com nostalgia, “Caça Joia Clipes” estreia no Canal Futura celebrando o audiovisual independente
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Em papo exclusivo de 30 minutos, o apresentador Chinaina detalha o processo hercúleo de assistir a mais de 4 mil clipes sem uso de IA e destaca a potência de nomes como a cearense Camaleoa
Entrevista por Letícia Pinheiro, editora chefe do Vivendo de Shows

Em tempos de feeds saturados e algoritmos engessados que ditam o que devemos ouvir, encontrar espaço para a arte em sua forma mais pura virou artigo de luxo. É para furar essa bolha e dar vitrine para quem realmente faz a engrenagem da nossa cultura girar que o Canal Futura estreou nesta sexta-feira (29), às 21h, o programa “Caça Joia Clipes”.
Sob o comando e a curadoria afiada do músico e apresentador pernambucano Chinaina, a produção chega com a missão de mapear a efervescência, a pluralidade e a força visual da música independente brasileira de norte a sul do país. O novo formato é um desdobramento direto do sucesso do programa Caça Joia que, ao longo de cinco temporadas, apresentou 55 novos talentos nas telas do Futura. Agora, a nova ramificação foca exclusivamente na potência do videoclipe como linguagem artística.
Em uma entrevista exclusiva de 30 minutos, Chinaina destrinchou os bastidores dessa odisseia audiovisual, relembrou sua própria trajetória e analisou o atual cenário da música na televisão.
O resgate do clipe na TV
Uma das reflexões mais profundas do papo girou em torno do papel da televisão na música atual. Com o fim do modelo clássico da MTV Brasil — escola onde o próprio Chinaina se consagrou como VJ —, o público e os artistas independentes ficaram órfãos de uma vitrine fixa na grade de programação aberta e por assinatura.
O espaço que antes era sagrado migrou inteiramente para a internet, pulverizado e escondido por métricas de engajamento. Trazer blocos dedicados exclusivamente aos videoclipes de volta para a TV e para o streaming gratuito (Globoplay) é, antes de tudo, um ato de ocupação e resistência cultural. A ideia é fazer o público voltar a assistir à música, resgatando o prazer de contemplar o roteiro, a fotografia e a narrativa visual com a atenção que ela merece.
"Não foi IA, a gente viu tudo!"
A resposta do circuito independente ao chamado do programa foi avassaladora: a produção recebeu mais de 4 mil inscrições de clipes de todo o território nacional. Para o apresentador, o maior orgulho do projeto foi o fator humano envolvido no filtro desse oceano de conteúdo.
"Não teve Inteligência Artificial, não teve algoritmo definindo tag. A nossa equipe viu clipe por clipe, de cabo a rabo. A essência do programa é justamente essa: ter a identidade real de todos os cantos do país", revelou Chinaina, agradecendo o espaço para dar visibilidade a esse corre hercúleo feito ao lado da diretora Pamella Gachido.
Ao longo de 13 episódios inéditos, o programa reunirá mais de 170 artistas. Os line-ups de cada semana foram desenhados para criar diálogos entre as diferenças regionais e de gênero musical — misturando rap, rock, pop e ijexá. Segundo Chinaina, o programa prova que, mesmo sem os orçamentos milionários das grandes gravadoras, os realizadores independentes entregam estéticas e conceitos de altíssimo nível.
O camaleão destaca a Camaleoa

Entre a imensidão de artistas selecionados, um nome em comum causou faísca e foi destacado com entusiasmo durante a entrevista: a cantora e compositora cearense Camaleoa.
Nascida em Fortaleza, a artista transita pelo pop, indie e texturas eletrônicas com uma identidade visual fortíssima, marcante e, como o próprio nome diz, mutável. Como falado na entrevista, imagine uma mistura de Britney Spears com a banda de forró Calcinha Preta? Pois então... Camaleoa já carrega no currículo a ousadia de ter lançado um álbum-filme totalmente independente no Ceará, assinando os próprios roteiros. Suas produções — como os clipes de Reptilianas, Sonho de Consumo e o recente Azul Royal, gravado na Praia do Mucuripe — misturam sensualidade, política, conceito estético refinado e muita conexão com seu território.
Para Chinaina, o destaque dado a ela resume perfeitamente o espírito do programa: celebrar artistas que dominam a linguagem audiovisual com maestria, sem depender das grandes indústrias para ditar o que é excelente. Confira o trabalho da artista:
Uma viagem sonora na estreia
No primeiro episódio, que foi ao ar hoje, o público é convidado a fazer uma verdadeira viagem sonora. A seleção de estreia conta com produções de Karola Nunes, Boca de Leoa, Vinijoe, Augusta Barna, Barbarelli, Varanda, Lanches, Animal Invisível, além de um encontro icônico entre o underground de Vitor Pirralho e a lenda Ney Matogrosso.
Olhar para essa quantidade imensa de novos realizadores faz o próprio Chinaina se conectar com seu passado, quando despontou nos anos 90 com a banda Sheik Tosado no movimento Manguebeat em Pernambuco. O Caça Joia Clipes é um espelho de um Brasil que pulsa à margem do mainstream, provando que a verdadeira joia da nossa cultura está naquilo que a gente se propõe a garimpar.
Caça Joia Clipes vai ao ar toda sexta-feira, às 21h, no Canal Futura. O programa também pode ser assistido, gratuitamente, pelo Globoplay.
O Futura está presente nas principais operadoras de TV por assinatura no Brasil:
Net e Claro TV – 534 HD e 34
Sky – 434 HD e 34
Vivo – 68HD e 24 fibra ótica
Oi TV – 35

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