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Do offline de Zeca Pagodinho ao compliance no futebol: tudo o que rolou no 3º dia do Rio2C 2026

  • há 24 horas
  • 4 min de leitura

Cidade das Artes ferveu com anúncios das gigantes do streaming Netflix e Disney+, debates sobre o centenário de Tom Jobim e um alerta rígido da CONMEBOL sobre integridade no esporte

por Letícia Pinheiro, editora chefe do portal em colaboração com Redação Vivendo de Shows

Xamã, Ferrugem e Zé Ricardo. Créditos: divulgação/Rio2c
Xamã, Ferrugem e Zé Ricardo. Créditos: divulgação/Rio2c

O terceiro dia da oitava edição do Rio2C chacoalhou as estruturas da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026. Debandando para o eixo de Conferência e Mercado sob o tema central “Code of Meaning” (“Código de Sentido”), o maior encontro de criatividade da América Latina colocou frente a frente a geopolítica do streaming, o futuro do audiovisual para 2030, encontros catárticos da MPB e um debate urgente — e polêmico — sobre a integridade nos gramados sul-americanos.

"Não devo nada à internet": o show offline de Zeca Pagodinho e Regina Casé

Zeca Pagodinho. Divulgação/Rio2c
Zeca Pagodinho. Divulgação/Rio2c


Um dos painéis mais disputados e barulhentos do dia no GlobalStage não precisou de nenhuma tecnologia mirabolante ou inteligência artificial. Bastou colocar o sambista Zeca Pagodinho e a atriz Regina Casé sentados lado a lado para uma conversa regada a causos, afetos e gargalhadas. Celebrando a vida comunitária e a simplicidade de seu famoso refúgio em Xerém, Zeca deu um show de carisma e deixou claro que vive completamente à margem da hiperconexão e do medo do "cancelamento digital".

Regina Casé. Créditos/Rio2c
Regina Casé. Créditos/Rio2c


“Quando eu virei Zeca Pagodinho não existia nada disso; e eu não devo nada à internet. Não uso, nunca, e nem vou usar. Não tenho WhatsApp”, disparou o cantor, sendo ovacionada por uma plateia que veio abaixo.

A tarde musical do palco principal ainda teve o cantor uruguaio Jorge Drexler destrinchando o instante em que a palavra vira poesia, além de uma mesa comandada pelo curador Zé Ricardo que reuniu o rapper Xamã e o cantor de pagode Ferrugem. Cria da Zona Oeste carioca, Ferrugem defendeu o fim das barreiras mercadológicas: “O estilo é apenas uma caixa que as pessoas colocam a gente. Precisamos colaborar sem fronteiras”.

NandaTsunami. Créditos: divulgação/Rio2c
NandaTsunami. Créditos: divulgação/Rio2c

A cena da música urbana ganhou um reforço de peso diretamente das ruas de São Paulo com a presença de NandaTsunami. A MC e compositora paulista de 26 anos traz em suas produções uma fusão autêntica e pulsante entre o trap e o funk paulista, ritmo que moldou sua adolescência e dita o tom de suas rimas focadas no cotidiano e nas vivências reais da periferia. A artista levou sua autoridade lírica para o palco do Soundbeats III, onde participou do painel “Além dos Plays: Como o Streaming Impulsiona Carreiras na Música”, discutindo os bastidores e o impacto real das plataformas digitais na projeção e na alavancagem de novos talentos independentes no mercado atual.

Em contrapartida, no painel que discutiu os 100 anos de Tom Jobim (cujo centenário se aproxima), a cantora Joyce Moreno acendeu um alerta preocupante sobre o hiato geracional na Bossa Nova, criticando a falta de democratização desse catálogo para a garotada. O diretor Miguel Faria Jr. aproveitou o gancho para anunciar que seu próximo filme aceitará o desafio de reapresentar o maestro soberano para as novas gerações.

Netflix e Disney+ revelam estratégias locais e o cenário para 2030

No GlobalStage, os chefões das principais plataformas de streaming do planeta deixaram claro que o Brasil é a grande joia da coroa na América Latina. Paco Ramos, VP de Conteúdo da Netflix, destacou o modelo flexível de coprodução que se ajusta aos produtores locais, citando o aguardado longa ‘Agente Secreto’. Já Eric Schrier, presidente de conteúdos originais internacionais do Disney+, garantiu que a ambição da empresa é ter todo mês um grande lançamento nacional de peso na grade, a exemplo do sucesso de ‘Impuros’ e de ‘O Amor da Minha Vida’.

Em outra mesa focada no mercado audiovisual de 2030, as lideranças Elisabetta Zenatti (Netflix), Julia Rueff (Globoplay) e Patricia Muratori (YouTube) debateram a ascensão de modelos de assinatura híbridos (com anúncios ou gratuitos) e a flexibilidade no licenciamento. Zenatti apontou que o conteúdo brasileiro superou barreiras de formatos e hoje roda o mundo inteiro, tendo produções da Conspiração Filmes, por exemplo, que vão passar por diversas janelas de exibição antes de chegarem de fato às telas do streaming.

Diretora da CONMEBOL solta o verbo e critica modelo do Botafogo

Se os palcos de entretenimento pregaram união, o ambiente do SportsON pegou fogo. Em uma das falas mais contundentes e comentadas de todo o evento, Monserrat Jimenez, Vice-Secretária-Geral e Diretora Jurídica da CONMEBOL, conversou com a jornalista Glenda Kozlowsky sobre governança e a enxurrada de capital estrangeiro que vem inflando o futebol sul-americano por meio de esquemas de apostas.

Jimenez foi categórica ao exigir a obrigatoriedade de mecanismos rígidos de auditoria interna: “Não pode haver clubes sem compliance. É a integridade do esporte que está em jogo. Precisamos nos atentar ao dinheiro que vem de lugares de onde não queremos que venham. Não podemos pôr a reputação do futebol em jogo para ter mais dinheiro”.

Ao ser questionada sobre as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil, a executiva elogiou o modelo multiclube do Grupo City (gestor do Bahia) por sua estrutura organizacional, mas disparou duras críticas ao modelo adotado pela SAF do Botafogo, classificando a movimentação da diretoria alvinegra como algo motivado exclusivamente "por dinheiro".

O dia ainda contou com a presença da Ministra da Cultura, Margareth Menezes, debatendo a economia criativa como motor de desenvolvimento social.


O Rio2C segue com sua programação de palestras e rodadas de negócios na Cidade das Artes até o próximo domingo.


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