L7nnon e Kenner chegam ao sétimo capítulo da parceria com coleção e pop-up cultural em Madureira
- há 1 hora
- 3 min de leitura
Colaboração entre o rapper carioca e a marca de sandálias ganha nova coleção, programação cultural e ocupa Madureira durante março, reforçando a ligação entre moda, música e cultura suburbana no Rio.
Por Patricia Burlamaqui, para a Vivendo de Shows.

Depois de quatro anos de parceria e mais de um milhão de pares vendidos, o rapper carioca L7nnon e a marca Kenner apresentam o sétimo capítulo de sua colaboração. O lançamento reúne sete sandálias — seis delas inéditas — e ganha um espaço físico temporário em Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Mais do que uma vitrine de produtos, a pop-up store funciona como ponto de encontro cultural, com programação que inclui debates, música, oficinas e festas ao longo de março.
A escolha do bairro não é casual. Madureira, um dos polos culturais do subúrbio carioca, simboliza o tipo de território que atravessa tanto a trajetória de L7nnon quanto o imaginário da marca. Nesse contexto, a coleção chega acompanhada de atividades que tentam ampliar a conversa entre moda, arte urbana e música.
Da rua para o mainstream
Nascido em Realengo, na Zona Oeste do Rio, L7nnon construiu sua carreira no rap a partir das batalhas e da circulação digital, até se consolidar como um dos nomes mais populares do gênero no país. Com sucessos que transitam entre o rap, o trap e o pop, o artista ampliou sua presença para além da música — participando de campanhas, festivais e projetos ligados à cultura urbana.
A parceria com a Kenner, iniciada em 2021, acompanha esse movimento. O projeto cresceu junto com a visibilidade do rapper e se tornou um dos casos mais consistentes de colaboração entre artista e marca no universo do streetwear brasileiro.
Para o artista, a relação tem origem na própria vivência. “Minha conexão com a Kenner sempre foi muito natural, porque vem da rua, vem da nossa cultura”, afirma.
Design inspirado no cotidiano da periferia
A nova coleção segue a lógica de incorporar elementos do streetwear e de referências estéticas presentes na cultura periférica. Entre os destaques está a Megah Baggy L7, modelo slide que inclui um pequeno bolso lateral na tira e um cadarço removível — detalhe que aproxima o design do universo das roupas utilitárias e dos acessórios urbanos.
Outro lançamento é a Cushy Bold L7, releitura de um dos modelos conhecidos da marca, agora com tiras acolchoadas em efeito puffer e acabamento pensado para conforto. Já a Megah Plus aposta em um visual robusto, com solado tratorado e variações que misturam preto e tons metálicos.
Há também referências mais simbólicas. O modelo Kivah Dots L7, por exemplo, parte de um padrão quadriculado inspirado nos cabelos com reflexo — estética que se popularizou nas periferias brasileiras nos anos 2000 e que reaparece aqui reinterpretada no design da tira.
A intenção, segundo a marca, é trabalhar a moda como linguagem de identidade e pertencimento, algo que tem se tornado cada vez mais recorrente nas colaborações entre artistas da música urbana e marcas de vestuário.
Uma loja que vira espaço cultural
Mais do que apresentar a coleção, a pop-up store criada para o lançamento tenta reproduzir o ambiente cultural que alimenta a parceria. O espaço reúne grafites do artista visual Airá Ocrespo, conhecido como MC Grafiteiro, e uma exposição dedicada à tradição dos bate-bolas, manifestação carnavalesca do subúrbio carioca reconhecida como patrimônio cultural da cidade.
A programação semanal amplia essa proposta. Entre as atividades previstas estão rodas de conversa sobre design e tecnologia, gravações de sets musicais ao vivo, oficinas de artesanato e festas com DJs. Em algumas noites, o local se transforma em pista de dança com sets de dancehall, R&B e Miami Bass.
Aberta ao público e gratuita em grande parte da programação, a iniciativa tenta aproximar diferentes expressões da cultura urbana que orbitam o universo do artista e de seu público.
Moda, música e território
Nos últimos anos, colaborações entre músicos e marcas de moda se tornaram estratégia frequente para conectar produtos a narrativas culturais mais amplas. No caso de L7nnon, a parceria parece dialogar diretamente com a forma como o rap brasileiro tem se consolidado como força estética e econômica.
Ao ocupar Madureira com uma loja temporária e uma agenda cultural, o projeto também aponta para um movimento recorrente na cena urbana: levar lançamentos e experiências para além dos centros tradicionais de consumo.
No fim das contas, a coleção funciona como pretexto para algo maior — um encontro entre música, moda e as referências visuais que surgem nas ruas da cidade. Em um bairro que historicamente concentra manifestações culturais do subúrbio carioca, a pop-up transforma o lançamento de sandálias em mais um capítulo dessa conversa.

%20(1).png)



Comentários