João Rock 2026 reúne 65 mil pessoas em Ribeirão Preto, em um encontro que celebrou a diversidade musical
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Com o tema “O Brasil vive aqui”, a 23ª edição do evento agitou Ribeirão Preto com palcos em LED, encontros de Di Ferrero com CPM 22, BNegão no BaianaSystem e homenagens à diversidade musical
por Letícia Pinheiro, editora-chefe do Vivendo de Shows

Se existe um lugar no mapa onde o coração da música brasileira bate em perfeita sincronia, esse lugar foi o Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto (SP) no último sábado, 1º de agosto. A equipe do Vivendo de Shows esteve presente para acompanhar de perto a 23ª edição do João Rock, que sob o lema “O Brasil vive aqui”, provou mais uma vez por que é um dos festivais mais fundamentais, vibrantes e afetivos do país. Nossa equipe desembarcou em Ribeirão Preto para vivenciar mais de 12 horas de música, surpresas no palco e uma celebração calorosa da brasilidade ao lado de 65 mil pessoas.
Com ingressos totalmente esgotados há semanas, o evento recebeu 65 mil pessoas dispostas a maratonar 34 atrações divididas em cinco palcos. Do calor da tarde até a madrugada gelada do interior paulista, vivenciamos uma verdadeira aula de diversidade cultural, inovação técnica e encontros que entrarão para a história do festival.
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Uma imersão visual no palco principal

Logo na chegada à arena, o impacto visual foi inevitável. Pela primeira vez na história, o lendário Palco João Rock foi totalmente revestido por impressionantes 1.200 metros quadrados de telas de LED de alta definição. O resultado na prática foi um espetáculo à parte: a iluminação e as artes visuais dialogavam em tempo real com a energia de cada apresentação, criando uma moldura gigante para quem assistia das pistas.
A maratona no palco principal começou cedo, com o peso das rimas do tricampeão Levinsk na Batalha da Aldeia e a energia da banda Lizium, vencedora do concurso de bandas. À medida que a noite se aproximava, o festival emendou uma sequência impecável de clássicos.
Acompanhamos a estreia da nova turnê do Detonautas ("Rádio Love Nacional"), a poesia atemporal de Chico Chico e a elegância de Zé Ramalho e Alceu Valença — que transformaram a arena em um imenso coral a céu aberto.
Os encontros surpresa que incendiaram a arena
Se o João Rock é famoso pela entrega dos artistas, em 2026 o fator surpresa levou o público ao delírio. Estávamos lá no exato momento em que o CPM 22 chamou ao palco Di Ferrero para dividir os vocais no hino "Dias Atrás", em um dos momentos mais catárticos e saudosistas da noite.
Pouco depois, o BaianaSystem transformou o parque em um verdadeiro carnaval de rua. A roda se abriu e a poeira subiu de verdade quando a banda recebeu, sem nenhum aviso prévio, os pesos-pesados BNegão e Vandal, resultando em uma explosão de graves e rimas improváveis.
Para fechar o palco principal com chave de ouro, o projeto Charlie Brown Jr. Acústico promoveu uma homenagem emocionante à obra de Chorão e Champignon, trazendo participações marcantes de Negra Li, Marcelo Nova e uma aparição surpresa de Tico Santa Cruz.
Circulando pelos palcos: da Amazônia ao trap contemporâneo
Caminhar entre os setores do João Rock é como fazer uma viagem musical pelo país, e nós fizemos questão de cobrir cada canto do festival:
Palco Brasil (De Norte a Sul): sentimos de perto a força do Norte com o encontro arrebatador entre Os Tucumanus e Victor Xamã. Na sequência, a Nação Zumbi trouxe a gravidade impecável do manguebeat, Armandinho fez todo mundo cantar reggae com o pé na grama e Marcelo D2 uniu rap e samba ao lado do parceiro Rael. Para fechar, os Raimundos botaram a galera para pular do início ao fim do set;
Palco Aquarela: o espaço dedicado à pluralidade e ao protagonismo feminino esteve impecável. Acompanhamos a potência de Urias, a delicadeza baiana de Rachel Reis e Luedji Luna, além de uma Marina Sena radiante que brincou pedindo "residência fixa" no festival. O encerramento emocionante ficou por conta de Ana Carolina, celebrando 25 anos de carreira em tom de gala;
Fortalecendo a Cena: o palco mais urgente e urbano do festival provou que o rap nacional vive sua melhor fase. Vimos Ajulliacosta, Yago Oproprio (com a participação surpresa de Rô Rosa) e o retorno comovente de FBC e Djonga. O encerramento do espaço coube ao mestre Criolo, que decretou do palco: "Vou aprender com quem está fazendo o som agora";
Eisen Rock Station: dedicado à renovação do rock, o palco foi o porto seguro para quem buscava guitarras distorcidas. Acompanhamos performances intensas das bandas autoriais Drenna, Aléxia, Giovanna Moraes, Dupoint, Jambu e um show avassalador do Rancore como headliner.
A 23ª edição do João Rock deixou claro que o festival não se apoia apenas na nostalgia do rock nacional: ele se renova a cada ano, abraça o rap, o MPB e as novas tendências sem perder sua essência acolhedora.
Voltar de Ribeirão Preto com a poeira no sapato e a voz rouca é a prova de que o evento cumpriu sua missão. Que venha a edição de 2027!
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