Fat Family transforma Casa Natura em baile na noite de sábado
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Por Bella Winckler Matrone, para o Vivendo de Shows.

Quem chegou na Casa Natura Musical na noite do último sábado (01) pode ter estranhado a atmosfera. Ao invés dos grupos fragmentados comuns aos pré-shows, o espaço foi tomado pela energia particular das festas de família brasileira. A nostalgia podia ser sentida na mistura entre pessoas mais velhas e jovens adultos, e nos famosos passinhos tradicionais dos bailes charme, performados de forma sincrônica pelo salão.
Os movimentos, no entanto, eram apenas um aquecimento para o que estava por vir. A atração de verdade chegou às 22 horas ao som de “Eu Não Vou”, um dos maiores clássicos da black music e do Fat Family.
E, enquanto a plateia gritava “Viva Fat Family! Viva a Deise!” da pista, no palco, Kátia, Simone e Suzete davam início a mais um capítulo da história da banda, agora na nova turnê “Baile Charme”, pensada para honrar as raízes da comunidade preta no Brasil e as suas próprias. O clima vivido pelo público antes de início era justamente o que as artistas pretendiam cultuar ao imaginar o show.
“A gente sempre se reunia no quintal da minha mãe com muita comida, muita música e não faltava essa black music brasileira. É uma referência pra nós. Estávamos sempre nos passinhos, uma puxando a outra e todo mundo se envolvia no final”, contou Suzette Cipriano, em entrevista ao Vivendo de Shows.
O envolvimento do quintal de casa foi transportado para os palcos. Misturando músicas de artistas como Tim Maia, Sandra Sá e Seu Jorge, Beyoncé, Mano Brown, com suas próprias composições, incluindo o novo lançamento da banda, “Não Para de Dançar”, criado em parceria com Mr. Dan.
Em determinado momento, Suzette parou o show para agradecer ao público por todos os anos acompanhando o grupo. A cantora mencionou ainda os impactos da morte da irmã, Deise Cipriano, no grupo, em 2019. “Quando a Deise se foi, nós decidimos enterrar a Fat Family, porque aquilo não fazia mais sentido. Mas algo nos chamou de volta e queríamos agradecer vocês que nos incentivaram em todos os momentos. Ninguém chega em nenhum lugar sozinho”, disse.
Após anos plantando as sementes da black music brasileira como uma das principais vozes do R&B, soul e do charme nacional, o Fat Family retorna agora para colher novos frutos, regados de leveza e aproveitando o novo momento do estilo no País. Para Suzette, é tempo de aproveitar a proporção que o R&B tem tomado. “O R&B é o novo pop, ele trouxe vida pra comunidade”, afirmou.
A vida a que ela se refere se evidenciou na diversidade da plateia, que reuniu jovens, terceira idade e até ocasionais chamadas de vida para parentes mais velhos que não podiam estar ali para aproveitar o momento junto.
Depois de muito charme e “pescocinhos”, o encerramento veio com o tradicional “Um Fat beijo, um Fat abraço, Um Fat amasso”, mas com a certeza de que a Fat Family ainda tem muita história para contar.

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