Festival De Novo estreia no Circo Voador com casa aberta para a nova geração
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Por Juan Nobre, para o Vivendo de Shows.

O Circo Voador abre as portas nesta sexta-feira, 06 de março de 2026, para a estreia do Festival De Novo, projeto que nasce com um recado direto ao mercado: renovar é urgente — e a nova cena precisa de palco, circulação e articulação.
Após receber mais de 1.600 inscrições de artistas de todo o país, a curadoria selecionou quatro nomes que representam diferentes recortes da produção contemporânea independente: Tangolo Mangos (BA), Tori (SE), Pelados (SP) e Gracinha (RN). A noite ainda conta com DJ set de Pedro Montenegro, do programa BarKino (Soho Radio, Londres), conectando a pista carioca ao que ecoa da nova música brasileira para o exterior.
Além dos shows, o festival amplia o debate sobre circulação artística. Curadores, jornalistas, selos e representantes de casas como Novas Frequências, Audio Rebel, Blue Note RJ e Fundição Progresso participam de um encontro promovido pelo Circo logo após a abertura dos portões, às 19h. A ideia é simples e estratégica: fortalecer redes para que esses artistas não fiquem restritos a nichos.
Tangolo Mangos (BA)

Formado por Bruno Fechine, Felipe Vaqueiro, João Antônio Dourado, João Denovaro e Pedro Viana, o Tangolo Mangos constrói desde 2017 um som que atravessa psicodelia, música nordestina, rock clássico e MPB com espírito experimental.
No repertório, faixas dos EPs Mangas a Caminho da Feira no1 (2019) e tngl_mngs.rar (2020), além do álbum Garatujas (2023). Para a estreia do festival, o grupo recebe como convidado o rapper carioca Luiz Barata, ampliando o diálogo entre cenas.
Tori (SE)

Nascida em Aracaju e radicada no Rio, Tori vem consolidando seu nome na nova MPB com uma sonoridade que mistura delicadeza vocal, referências do cancioneiro popular, música mineira, pop e nuances psicodélicas.
A artista sobe ao palco acompanhada por Julia Guedes (piano), Domenico Lancellotti (bateria), Toro (baixo), Karina Neves (flauta), Paulo Emmery (guitarra) e Francisca Barreto (violoncelo), além da participação especial de Fabio Aricawa, da Cidade Dormitório.
Na discografia, o EP Akoya (2016) e os álbuns Descese (2023) e Areia e Voz (2025) marcam sua trajetória recente.
Pelados (SP)

Há 10 anos na cena independente paulistana, o Pelados aposta na liberdade estética. Manu Julian (voz), Helena Calil (baixo), Lauiz Martins (teclados e synths), Theo Cecato (bateria) e Vicente Tassara (guitarra) transitam entre o indie rock clássico e experimentações sem compromisso com fórmulas.
O repertório passeia por Sozinhos (2020), Foi Mal (2022) e o recém-lançado CONTATO (2025). Jonas Sá participa como convidado especial.
Gracinha (RN)

Projeto solo de Isabela Garcia após sua passagem pela banda feminista Demonia, Gracinha articula indie rock e dreampop com letras que abordam identidade, afetos e vivências enquanto mulher negra e lésbica.
Acompanhada por Mateus Tinoco, Rodolfo Almeida, João Victor e Pedro Lucas, a artista apresenta faixas do álbum Corpo Celeste (2024), trabalho que consolidou sua presença na cena alternativa nordestina.
Mais do que um evento pontual, o Festival De Novo se posiciona como política cultural prática: criar pontes entre artistas emergentes e o mercado, ampliar visibilidade e reafirmar o papel histórico do Circo Voador como catalisador de movimentos.
Em um circuito dominado por line-ups consagrados e festivais de grande porte, a estreia do projeto aposta naquilo que sempre moveu a música brasileira: descoberta.

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