top of page

Berg Menezes lança Faísca, Fagulha ou Centelha e coloca a acessibilidade no centro da criação

há 6 horas
4 min de leitura

Marina Pereira para Vivendo de Shows


Berg Menezes lança Faísca, Fagulha ou Centelha e coloca a acessibilidade no centro da criação
Por: Daniel Calvet

Terceiro álbum de estúdio do cantor e compositor cearense celebra 20 anos de carreira e transforma Libras, audiodescrição e inclusão em elementos da própria linguagem musical


Há trabalhos que simplesmente incorporam recursos de acessibilidade depois de prontos. E há projetos que começam justamente pela necessidade de encontrar novas formas de comunicação. É nesse segundo caminho que Berg Menezes constrói Faísca, Fagulha ou Centelha, seu terceiro álbum de estúdio.

Celebrando 20 anos de trajetória na música independente, o cantor, compositor e guitarrista cearense apresenta um disco em que a acessibilidade não aparece como complemento, mas como parte fundamental da criação. Produzido por Victor Oliveira e pelo próprio Berg, o álbum já está disponível nas plataformas digitais.


Faísca, Fagulha ou Centelha: música pensada para diferentes formas de sentir


A proposta do novo álbum nasceu de uma pergunta simples, mas bastante potente: como ampliar as possibilidades de comunicação através da música?

Berg começou a investigar essa questão em 2019, quando realizou seu primeiro show com uma intérprete de Libras durante a Virada Sustentável. A experiência foi tão significativa que Vanessa de Assis passou a integrar permanentemente seus shows, assumindo um papel que o artista define como o de uma verdadeira segunda vocalista.

A partir daí, Berg aprofundou a pesquisa em acessibilidade na música nos Laboratórios de Pesquisa do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), em diálogo com o Instituto Cearense de Educação de Surdos e o Instituto dos Cegos.

O resultado desse processo está presente em todo o álbum.


“Nada sobre nós, sem nós”


Um dos princípios que orientaram a criação de Faísca, Fagulha ou Centelha foi justamente a ideia de “Nada sobre nós, sem nós”.

Em vez de imaginar sozinho como pessoas surdas e cegas poderiam experimentar a música, Berg construiu o projeto a partir do diálogo com essas comunidades. A pesquisa também ajudou a desconstruir uma percepção bastante limitada sobre a experiência musical de pessoas surdas.

A música, nesse contexto, não se resume às vibrações fortes. Melodias sutis, atmosferas e diferentes camadas sonoras também podem fazer parte dessa experiência.

É uma mudança de perspectiva que acaba influenciando não apenas a acessibilidade, mas a própria estética do disco.


Libras e audiodescrição fazem parte da obra


O cuidado com a inclusão também aparece na construção audiovisual do projeto.

Em novembro, Faísca, Fagulha ou Centelha ganhará uma nova dimensão com o lançamento de uma parte audiovisual totalmente disponível em Libras.

O álbum também trabalha com uma proposta de audiodescrição poética e sensorial, desenvolvida para ir além de uma descrição literal. A ideia é permitir que os próprios músicos conduzam o público pelas atmosferas criadas pelas canções.

Nesse caso, a acessibilidade não está apenas explicando uma obra que já existe. Ela participa da maneira como essa obra é pensada e percebida.


“Fagulha” nasce entre inquietação e transformação


Entre as faixas do álbum, “Fagulha” representa bem essa proposta.

A música surgiu depois de meses de imersão e pesquisa e dialoga com a poética de “Pavão Misterioso”, clássico de Ednardo. A composição também traz referências simbólicas à Fênix, ao Querubim e a Exú, figuras apresentadas como mensageiros dessa inquietude que atravessa a obra.

Para Berg, essa inquietação está diretamente relacionada à necessidade de se comunicar de outras maneiras.

“A música precisava ser chama para queimar a quem se alcança não pela dor, mas pela inquietude.”

A frase resume bem o espírito de um álbum que não parece interessado em oferecer respostas prontas, mas em provocar novas formas de escuta.


Um disco construído a muitas mãos


A produção de Faísca, Fagulha ou Centelha ficou por conta de Victor Oliveira e Berg Menezes e passou pelos estúdios Cabidi Home Studio, SEPASSANDO rec e Troça Estúdio.

O repertório ganhou arranjos de uma equipe formada por Ivan Timbó nos teclados, synths e pianos; Jefferson Juan nas guitarras; Vitor Maia no baixo; Álvaro Abreu na bateria e percussão eletrônica; Artur Guidugli na percussão; e Vits nos backing vocals.

O disco também conta com participações especiais de Zeca Kalu e Allan Kardec Filho, responsável pela viola dinâmica.

Essa construção coletiva reforça uma característica importante do projeto: a acessibilidade está presente como pesquisa, mas também como troca.


A trajetória de Berg Menezes até o novo álbum


Faísca, Fagulha ou Centelha chega em um momento simbólico da carreira de Berg Menezes.

Antes do novo disco, o artista passou pelas bandas Relicário e Os Coadjuvantes e lançou os EPs Imperfeito (2013) e Vagabundo (2014), além dos álbuns Pedra (2016) e Qual é a sua Revolução? (2018).

Agora, duas décadas depois de iniciar sua trajetória na música independente, Berg escolhe celebrar essa história justamente se permitindo experimentar.

E talvez seja esse o aspecto mais interessante de Faísca, Fagulha ou Centelha: o álbum não trata a inclusão como uma barreira que precisa ser contornada para que a música chegue a mais pessoas. Ele parte da diversidade de experiências para criar uma obra que possa ser sentida de diferentes maneiras.


Uma nova forma de pensar a música inclusiva


Ao transformar Libras, audiodescrição e pesquisa com pessoas surdas e cegas em elementos da própria criação, Berg Menezes amplia a conversa sobre acessibilidade na música brasileira.

Mais do que adaptar uma obra já pronta, o artista propõe pensar desde o início em quem pode participar, perceber e experimentar aquela criação.


🎧 Dê o play em Faísca, Fagulha ou Centelha


Agora é hora de deixar a curiosidade virar escuta. O terceiro álbum de Berg Menezes já está disponível nas plataformas de streaming. Dê o play, conheça as faixas e mergulhe em uma experiência musical construída para ser percebida por diferentes sentidos.


Comentários


bottom of page