top of page

WME 2026 encerra edição de dez anos com 15 mil pessoas e catarse no centro de São Paulo

  • há 11 horas
  • 3 min de leitura

Com a Praça Dom José Gaspar lotada, maior plataforma dedicada às mulheres da música brasileira debateu inteligência artificial, políticas públicas e coroou sua trajetória com shows potentes de Stefanie e Nanda Tsunami

Por Redação Vivendo de Shows

NandaTsunami. Créditos: Mariana Smania (@smaniawho)
NandaTsunami. Créditos: Mariana Smania (@smaniawho)


A histórica edição de aniversário do Women’s Music Event (WME) provou por que é o movimento mais transformador dos bastidores da música nacional. Consolidado como o principal hub de capacitação, networking e visibilidade para profissionais do setor no país, o evento encerrou sua décima edição no último final de semana com a impressionante marca de mais de 15 mil pessoas circulando pelo centro de São Paulo entre os dias 18 e 21 de junho.

A megaoperação ocupou de forma estratégica e afetiva pontos emblemáticos da capital paulista: a Heavy House foi o palco da efervescente festa de abertura; a tradicional Biblioteca Mário de Andrade sediou as conferências técnicas e painéis; enquanto a Praça Dom José Gaspar abrigou três dias de shows de livre acesso e alta voltagem artística.

Do Funk de exportação à resistência contra os algoritmos

Os dois dias de conferência na Biblioteca Mário de Andrade promoveram debates cirúrgicos sobre os rumos do mercado fonográfico e a soberania criativa feminina:

  • Políticas Públicas e Gestão: O painel "Viver de Música e Políticas Públicas" colocou lado a lado a deputada Sâmia Bomfim, Juliana Benicio, Thamires Cordeiro e Marília Marton para discutir soluções reais de financiamento e estrutura de carreiras.

  • A Força do Funk e Liderança: O ecossistema global do funk foi destrinchado por nomes de peso como Alana Leguth (Kondzilla), Gabriela Caramigo (Beatport) e Izabel Marigo (ONErpm). Já o debate "De Grão em Grão" reuniu a cantora Fernanda Takai (UBC) e executivas da Sympla e ONErpm para traçar metas reais para romper o funil de liderança de mulheres nos bastidores.

  • Curadoria Humana vs. IA: Em painel assinado pela Heineken, discutiu-se a urgência da curadoria com toque humano na contramão dos algoritmos, enquanto a ativista Veronyka "Travahacker" Gimenes comandou uma concorrida oficina prática sobre os impactos e autonomias que a Inteligência Artificial traz ao mercado.

O evento ainda promoveu encontros inesquecíveis, como a dinâmica "Olhar 43" capitaneada pela Altafonte — uma audição coletiva de demos julgada por Karol Conká, Tulipa Ruiz, Roberta Martinelli e Mônica Brandão na Sala Oval —, uma entrevista exclusiva de formato Q&A com Linn da Quebrada, e uma jornada sonora sensorial de vanguarda na Sala Imersiva, onde o público relaxava no chão ao som de sets de DJs renomadas como Paula Chalup e Mari Rossi.

A explosão urbana e despedida internacional

Os fins de tarde na Praça Dom José Gaspar entregaram uma verdadeira maratona estilística 100% gratuita. Na sexta-feira, a MPB e o indie poético de Catto dividiram a cena com o soul regional e junino de Bruna Black. O sábado foi tomado pelas guitarras distorcidas do rock nacional com a banda The Monic e a lenda do pós-punk As Mercenárias.

No domingo (21), a praça atingiu sua capacidade máxima com milhares de fãs do hip-hop nacional. Após o set cirúrgico da DJ Vivian Marques, a madrinha da edição, Stefanie, entregou um show de forte teor político com as participações de Flavia K e da pioneira do rap nacional, Ieda Hills.

Coube ao fenômeno do trap Nanda Tsunami encerrar a noite com um espetáculo altamente teatral e performático, acompanhada por dançarinos, backing vocals e trocas de figurinos. Durante a apresentação, em meio ao coro em alto e bom som de milhares de fãs, a artista compartilhou com exclusividade que estava partindo para uma turnê de sete apresentações na Europa, definindo o show do WME como o melhor presente de despedida.

“O WME realmente se tornou uma entidade, capaz de furar bolhas e levar autoestima para mulheres que trabalham em diferentes frentes dessa engrenagem. E, afinal, autoestima, conhecimento e bons contatos são os motores para fazer com que elas se posicionem no mercado e consigam pagar seus boletos com música. Esse é o legado mais importante”, celebram as fundadoras Claudia Assef e Monique Dardenne.

Com o fim dos palcos do centro paulista, as atenções da plataforma agora voltam-se para o segundo semestre, quando será realizada a tradicional premiação anual WME Awards, o único prêmio dedicado estritamente a condecorar as mulheres da indústria da música no país. As fotos oficiais históricas da edição de 10 anos, assinadas pela fotógrafa Mariana Smania, já estão disponíveis para download da imprensa no canal oficial da organização.

Comentários


bottom of page