Uma "inteligência artesanal" contra o algoritmo: Capsula estreia com o single “Dopamina”
- 3 de jun.
- 2 min de leitura
Formada por Érika Martins (Penélope), Fernando Americano e a lendária cozinha do Skank, com Haroldo Ferretti e Lelo Zaneti, banda mineira lança crônica moderna sobre a exaustão digital
Por Redação Vivendo de Shows

Em uma indústria fonográfica pautada pela urgência de lançamentos instantâneos e faixas feitas sob medida para durar segundos em uma rolagem infinita de feed, nasce um projeto focado na contramão de tudo isso.
A Capsula disponibilizou em todas as plataformas de streaming, sob distribuição da OneRPM, o seu single de estreia, intitulado “Dopamina”. A faixa é o cartão de visitas de um supergrupo que une a bagagem histórica de integrantes do Skank e do Penélope para criar o que definem como um verdadeiro antídoto ao som descartável.
A canção transita com fluidez pelo pop, pelo rock e pelo reggae. Trata-se de uma crônica urbana e moderna sobre a exaustão emocional, as relações líquidas e a ansiedade permanente gerada pela hiperconexão e pela enxurrada de notificações nas telas dos smartphones.
Musicalmente, "Dopamina" entrega ao ouvinte um equilíbrio refinado entre a icônica e precisa cozinha de grooves comandada por Haroldo Ferretti (bateria) e Lelo Zaneti (baixo), ambos ex-Skank, somada às texturas sensoriais das guitarras de Fernando Americano (The Surf Motherfuckers/Penélope) e à interpretação densa, melódica e magnética da vocalista Érika Martins (Penélope).
O emaranhado mineiro e o processo criativo sem pressa
A gênese da Capsula partiu de uma típica coincidência de Belo Horizonte, cidade famosa por conectar círculos artísticos. O que começou em um almoço de família, cruzando conexões improváveis entre vizinhos, parentes e músicos que já se conheciam há décadas, logo virou um convite despretensioso para fazer um som.
A partir dali, o quarteto decidiu apostar em algo raro no mercado atual: tempo, convivência e afinidade criativa sem pressa.
Durante um ano inteiro, o grupo trabalhou silenciosamente no desenvolvimento de seu repertório autoral. Os encontros aconteciam no Estúdio Bamboo, montado na casa de Haroldo Ferretti e cercado pelas montanhas de Nova Lima (MG). Lá, os quatro artistas passaram madrugadas trocando arquivos, testando timbres, desmontando arranjos e reconstruindo canções do zero.
"Em um tempo em que boa parte da música é criada para alimentar métricas, tendências e algoritmos, o Capsula surge como uma espécie de 'inteligência artesanal' em forma de banda. Música feita por pessoas reais, para pessoas reais."
Bebendo de fontes como o pós-punk, o dub, o indie rock e o chamado “rock adulto”, a Capsula insiste no oposto da lógica acelerada do mercado, entregando composições lapidadas lentamente e gravadas por mãos humanas, que abraçam as imperfeições que tornam a arte verdadeiramente viva.
Não se trata de nostalgia ou de um mero revival, mas sim de música que sangra e transpira o tempo presente. "Dopamina" já está disponível no seu player favorito. Vale a pena apertar o play e se desconectar por alguns minutos para ouvir.
https://onerpm.link/capsula_dopamina

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