Suraras do Tapajós abrem show de 50 anos de carreira de Fafá de Belém no Circo Voador
Primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil traz espetáculo imersivo ao Rio de Janeiro; noite na Lapa terá ainda Manoel Cordeiro
por Redação Vivendo de Shows

O Rio de Janeiro se prepara para ser palco de um dos encontros mais potentes, representativos e emocionantes da música brasileira contemporânea. No dia 5 de junho de 2026 (sexta-feira), as Suraras do Tapajós sobem ao palco do místico Circo Voador, na Lapa, para comandar a abertura do show de ninguém menos que Fafá de Belém, que celebra suas cinco décadas de uma trajetória lendária. A noite na lona mais famosa do país começa às 20h e promete um verdadeiro banho de cultura amazônica, contando ainda com as participações especiais do mestre da guitarrada Manoel Cordeiro e do projeto Vitrola Aberta.
Antes de desembarcarem na Lapa, as artistas também realizam uma apresentação solo especial no dia 4 de junho (quinta-feira), no Centro da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca. O público da zona norte poderá conferir de perto o aclamado espetáculo “Suraras do Tapajós - Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”, que une música, dança e ativismo político.
Vindas diretamente de Alter do Chão (PA), em Santarém — território do povo Borari —, as Suraras do Tapajós fincaram seus nomes na história ao se consolidarem como o primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no país. Em um gênero musical historicamente dominado pela presença masculina, o coletivo ressignifica o ritmo combinando a batida tradicional dos curimbós e maracas a arranjos vocais em coro e letras confessionais sobre a preservação da floresta, o protagonismo feminino originário e as memórias de seus ancestrais.
“Nossa arte é luta, mas também é celebração. Cantamos em defesa do rio, da floresta, das mulheres e dos povos indígenas”, afirma Val Munduruku, uma das integrantes do coletivo.
Tradição, banho de cheiro e circulação nacional
Quem for ao Circo Voador vai testemunhar mais do que um show de abertura: o grupo entrega uma experiência cênica e sensorial completa. Em cena, as artistas se apresentam descalças, exibindo grafismos corporais e figurinos que evidenciam a identidade de seus territórios. O repertório mescla faixas autorais do disco A Força Que Vem das Águas a hinos de grandes mestres paraenses, como a diva Dona Onete. Para coroar a catarse no palco, a performance inclui coreografias coletivas que interagem diretamente com a plateia e o tradicional ritual do "banho de cheiro" com ervas medicinais amazônicas, uma prática ligada à cura e ao bem-estar.
A passagem pela capital fluminense faz parte da maior turnê já realizada pelas Suraras do Tapajós. Viabilizado pela Lei Rouanet com o patrocínio da Petrobras, o projeto vai rodar por 12 capitais brasileiras ao longo do ano — incluindo Belo Horizonte, Salvador, Manaus e Fortaleza —, promovendo também oficinas de carimbó, moda consciente e instalações artísticas. Após passarem por palcos da Europa (em países como França e Finlândia) e brilharem na programação da COP30 em Belém, as Suraras chegam ao Rio para provar que a música indígena é viva, pop, urgente e irresistível. Garanta o seu lugar na lona!

Serviço:
Sessão Solo: Suraras do Tapajós
Quando: 4 de junho de 2026 (Quinta-feira)
Onde: Centro da Música Carioca Artur da Távola (Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca, Rio de Janeiro)
Quando: 5 de junho de 2026 (Sexta-feira), às 20h
Onde: Circo Voador (Rua dos Arcos, s/n – Lapa, Rio de Janeiro)
Participações: Manoel Cordeiro e Vitrola Aberta
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