Summits dominam primeiro dia do Rio2C 2026 e traçam o mapa do futuro da indústria criativa
- 27 de mai.
- 3 min de leitura
Na Cidade das Artes, abertura do maior encontro de criatividade da América Latina reuniu lideranças da Globo, Ministério da Cultura, Play9 e grandes marcas para discutir tecnologia, cultura e negócios
por Letícia Pinheiro, editora chefe do Vivendo de Shows

O ecossistema que dita as regras do entretenimento, da tecnologia, das mídias e da cultura no continente começou a pulsar forte na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. A oitava edição do Rio2C abriu suas portas nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, com um primeiro dia inteiramente dedicado aos seus tradicionais summits. Mais do que trilhas isoladas de conteúdo, os encontros funcionaram como uma plataforma de convergência para 1.732 palestrantes de mais de 30 países, desenhando os novos modelos de negócios e comportamentos que vão ditar os rumos da economia criativa global.
Um dos grandes marcos da abertura foi a estreia da sala MinC Conecta, parceria inédita do Ministério da Cultura com a OEI que sedia o Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura.
No painel de estreia, o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, debateu a integração regional ao lado de autoridades do Uruguai e da Segib, defendendo a criatividade como motor econômico e de inclusão social. "O lugar onde o Brasil tem maior espaço de crescimento é no mercado ibero-americano", cravou Tavares, de olho na força do bloco em fóruns globais como o G20.
O espaço ainda chamou a atenção do público com ativações interativas de inteligência artificial e o "Sintetizador Cultural", que explora as sonoridades típicas da nossa região.
No Summit Acontece Globo, a emissora carioca levou peso pesado para o evento sob o conceito “É Muito Brasil pra Contar”. O jornalista William Bonner abriu os trabalhos falando sobre a busca contínua pela identidade brasileira na tela. O grande destaque do palco, no entanto, foi o painel comandado por Pedro Bial, que discutiu o fenômeno comercial e de audiência dos documentários no país.
O gênero deixou o nicho para competir diretamente com o Big Brother e as novelas das 21h no gosto popular. "É uma oportunidade de você entender melhor algo que está acontecendo no Brasil", pontuou o jornalista Paulo Renato Soares, analisando o papel do documentarista na era da hiperinformação.
Da moda às arenas de eSports e Creator Economy
Os outros braços do festival também fervilharam. No Fashion System, o icônico artista ganês Jacob Paa Joe e a pesquisadora brasileira Hanayrá Negreiros discutiram como o vestuário carrega memória, identidade e o sagrado de matriz africana, desafiando o purismo do circuito tradicional de moda. Já no Summit Games+, comandado pela Player1, o debate girou em torno do amadurecimento dos esportes eletrônicos, discutindo fusões de grandes organizações de eSports e o crescimento da FURIA como marca global.
Na trilha da Creator Economy, assinada pela Play9, o foco foi a profissionalização das redes. Criadores como Felipe Castanhari discutiram como o algoritmo também cumpre funções educativas, enquanto outras mesas destrincharam como influenciadores estão transformando canais digitais em propriedades intelectuais lucrativas, conectando entretenimento e o futebol em pleno ano de Copa do Mundo.
Para coroar o dia de insights, o diretor Raoni Carneiro lançou na Janela Livraria a obra “Por onde anda sua cabeça?”. Fruto de uma série de entrevistas documentais realizadas no Rio2C de 2025 com cientistas e pensadores, o livro investiga os bastidores do pensamento contemporâneo em meio ao bombardeio de estímulos digitais — conversando perfeitamente com o tema norteador do evento em 2026, "Code of Meaning".
O Rio2C segue com sua programação multicultural e de negócios na Cidade das Artes até o dia 31 de maio.
%20(1).png)











Comentários