top of page

Resenha: Lucas Felix transforma afeto em matéria-prima em “Todas as Canções”

  • 29 de abr.
  • 3 min de leitura

por Letícia Pinheiro, editora-chefe do Vivendo de Shows

Créditos: Maria Otavia Rezende - @mreznde
Créditos: Maria Otavia Rezende - @mreznde

Antes mesmo do álbum chegar às plataformas à meia-noite do dia 29 de abril, Lucas Felix já tinha dado a pista do que vinha por aí: um show para convidados na Audio Rebel, no Rio, daqueles em que a música respira perto, sem filtro. A casa, conhecida por privilegiar o som cru e a proximidade entre artista e público, funcionou quase como uma extensão natural do disco de forma íntima, orgânica e sem excesso.




“Todas as Canções” nasce exatamente desse lugar. Produzido por Dadi Carvalho, o álbum costura oito faixas que giram em torno do amor, mas sem cair na obviedade. Aqui, o sentimento aparece como experiência cotidiana: nas relações, nas dúvidas, na tentativa constante de entender o outro — e a si mesmo.

Musicalmente, Lucas se ancora na MPB, mas não se limita. O disco flerta com o pop e o folk de forma leve, quase transparente, deixando espaço para os arranjos respirarem. E isso faz diferença. A escolha por uma gravação mais orgânica, com músicos tocando juntos, dá ao álbum uma sensação de presença e proximidade.

A narrativa começa de forma introspectiva com “INTRO” e ganha corpo em “Em Casa”, onde o afeto doméstico vira protagonista. Em “Cada Passo”, o discurso se desloca para recomeços e continuidade, enquanto “Lugar e Tempo” traz um olhar mais maduro sobre relações que sobrevivem ao tempo — ou tentam.

A faixa-título é o coração do projeto. “Todas as Canções” funciona como manifesto: a música como abrigo, como linguagem universal, como ferramenta de reconstrução.

Já “Deleite”, com participação de Gabi Monteiro, destaque do The Voice Brasil 2025, que adiciona textura ao disco. A presença de Gabi amplia o campo emocional da faixa, trazendo uma dinâmica que quebra a linearidade do álbum no momento certo. Lucas e Gabi contaram no show que a cantora estava no mesmo estúdio para realizar outra gravação e ao ouvir a canção, decorou em 20 minutos, se apaixonou e gravou com Félix.

Um dos pontos mais interessantes aparece em “Vamos Juntos”, onde a ansiedade ganha forma quase como personagem, como Lucas citou no show. É uma escolha inteligente: traduz um tema contemporâneo sem soar didático ou pesado demais. Fecha com “Avenidas”, que expande o olhar do individual para o coletivo, como se o disco saísse do quarto e fosse para a rua.

Gravado no estúdio Nas Nuvens, no Rio, o projeto carrega esse espírito de colaboração. Nomes como Marcelo Costa, Alberto Continentino e Rodrigo Tavares ajudam a construir uma base sólida, enquanto os metais de Antonio Neves trazem sutileza sem roubar a cena.

E talvez seja isso que mais fica depois da última faixa: não é um disco que grita. É um disco que conversa, chama pra dançar e contemplar a beleza da vida.

Capa (à esquerda) e contracapa (à direito) de "Todas As Canções". Por: Bernardo Andrade OUÇA “Todas as Canções” AQUI

TRACKLIST: 1. INTRO 2. Em Casa 3. Cada Passo 4. Lugar e Tempo 5. Todas as Canções 6. Deleite 7. Vamos Juntos 8. Avenidas FICHA TÉCNICA – “Todas as Canções”

Produção: Dadi Carvalho e Lucas Felix Composição: Lucas Felix (com parcerias em faixas selecionadas)

Músicos:Voz: Lucas FelixViolões e guitarras: Canequinha Baixo: Alberto Continentino e Dadi Carvalho Teclados: Rodrigo TavaresBateria e percussão: Marcelo Costa Metais: Antonio NevesSopros: Oswaldo Lessa

Participações e destaques por faixa: “Em Casa” – composição com Lolme Lugon; guitarra: Dadi Carvalho “Cada Passo” – baixo: Dadi Carvalho “Todas as Canções” – composição com Lolme Lugon; violão 12 cordas: Dadi Carvalho “Deleite” – composição de Lolme, participação de Gabi Monteiro (voz); baixo: Felipe Vellozo e “Avenidas” – composição com Lolme Lugon; coro com Gabi Monteiro, Canequinha, Aline Monteiro e Felipe Vellozo


Comentários


bottom of page