[Resenha] Festa Medo e Delírio transformou o Circo Voador em pista política, coletiva e celebração orgulhosamente latina
- Vivendo de Shows
- 16 de jan.
- 3 min de leitura
Humor, música quente e caos organizado marcaram a edição carioca da festa do podcast no dia 5 de dezembro
por Redação Vivendo de Shows, com participação de Letícia Pinheiro

No dia 5 de dezembro, o Circo Voador viveu uma daquelas noites que entram direto para a memória afetiva da Lapa. A Festa Medo e Delírio, extensão física do fenômeno de humor político comandado por Pedro Dalto e Cristiano Botafogo, ocupou a lona com uma mistura potente de música latina, crítica política, ironia afiada e pista cheia do início ao fim.
Depois de uma estreia lotada em São Paulo, a festa chegou ao Rio mantendo sua essência: uma celebração coletiva onde o riso, a indignação e a dança coexistem sem cerimônia. No Circo, isso se traduziu em uma noite quente, pulsante e absolutamente caótica no melhor sentido possível.
Um dos pontos altos da noite foi a apresentação da Orquestra Foli Griô, que celebrou 10 anos de trajetória com um show que funcionou como ritual, festa e despedida. Com sua mistura de afrobeat e tradições populares brasileiras, o grupo de dez integrantes — indicado ao Grammy Latino em 2019 com o álbum AJO — entregou uma performance intensa, reafirmando sua importância na cena independente e deixando o público em estado de transe coletivo.

Quem também retornou ao Circo com autoridade foi o Songoro Cosongo, trazendo sua fusão calorosa de salsa, cumbia, frevo e baião. Formado por músicos de diferentes países da América Latina, o grupo mostrou por que construiu, ao longo de duas décadas, uma relação tão forte com o público carioca: impossível ficar parado diante de um repertório que transforma diversidade cultural em pista de dança.

A noite seguiu quente com La Cumbia Artificial, projeto do multi-instrumentista Carlos Bolívia, que assumiu o controle da pista com grooves hipnóticos e letras afiadas. O aguardado “Pero no Jair” surgiu como catarse coletiva, coroado por aplausos, gritos e corpos em movimento.

Abrindo e fechando a festa, DJ Yuri da BS conduziu os momentos de transição com sets precisos, preparando o terreno para o encerramento já tradicional: uma hora de insanidade musical do Medo e Delírio, onde humor político, colagens sonoras e ironia transformaram o Circo em um grande delírio compartilhado.

Mais do que uma festa, a edição carioca do Medo e Delírio provou que o projeto funciona como um espaço de encontro entre música, política, riso e
resistência. No fim da noite, ficou claro: quando o caos é bem organizado, ele vira celebração.
Medo e Delírio em 2026
O podcast, retomou os trabalhos em janeiro de 2026 com episódios que abordam diretamente acontecimentos políticos recentes. Um dos episódios discutiu, por exemplo, tensões amplificadas na América Latina e no cenário internacional — temas que reverberam em palcos como o do Circo e em debates culturais que atravessam o país.
No âmbito político brasileiro, a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre uma sentença de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, segue gerando debates intensos e repercussões em diferentes esferas.
Em janeiro de 2026, Bolsonaro foi transferido para uma cela mais ampla no Complexo Penitenciário da Papuda, por determinação do Supremo Tribunal Federal, em meio a queixas da defesa e críticas públicas de aliados — fatos que alimentaram discussões entre a audiência.
No plano internacional, as tensões entre Venezuela e Estados Unidos também entraram em pauta em episódios recentes do Medo e Delírio. Notícias sobre a captura e tribunais envolvendo o presidente venezuelano Nicolás Maduro e movimentos diplomáticos dos EUA têm inflamado análises geopolíticas e alimentado a conversa crítica do público ouvinte.





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