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RANCORE transforma caos em renascimento em “A Nascente” e esquenta terreno para o álbum BRIO

  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

Após 15 anos, banda paulistana lança segundo single do novo disco pela Balaclava Records e reafirma por que segue sendo uma das forças mais intensas do rock alternativo brasileiro por Letícia Pinheiro, para o Vivendo de Shows


Créditos: Niki Camargo
Créditos: Niki Camargo

Tem banda que volta. E tem banda que reaparece como quem nunca saiu. O RANCORE é do segundo tipo.


Com “A Nascente”, segundo single do aguardado BRIO — quarto álbum de estúdio que chega ainda neste semestre pela Balaclava Records — o quinteto paulistano mostra que maturidade não significa perder urgência. Significa aprofundar.

Capa do single
Capa do single

A faixa flerta com o pós-hardcore e o indie rock, mas não fica presa a rótulos. Ela pulsa. Cresce. Explode e recolhe. É visceral e delicada ao mesmo tempo — exatamente como a história que a inspirou.


Teco Martins, vocalista e compositor, parte de um momento íntimo: o instante em que seu filho mais velho ouviu, em um exame de ultrassom, o coração da irmã bater pela primeira vez. O menino começou a dançar como se aquilo fosse um bumbo marcando o tempo da vida. No meio de um mundo em colapso, nasce um novo ritmo.


E é disso que “A Nascente” fala: do contraste entre bombas explodindo e um coração insistindo em bater. Entre o apocalipse coletivo e a esperança íntima. Entre o fundo do poço e a aurora.


Musicalmente, a produção de Guilherme Chiappetta e Daniel Pampuri mantém a essência que consolidou o RANCORE no underground dos anos 2000 — guitarras cortantes, bateria que empurra, baixo que sustenta tensão — mas com um frescor que revela uma banda que voltou porque tinha algo a dizer, não apenas porque podia.


E quando a gente fala de trajetória, vale lembrar: o RANCORE nunca foi coadjuvante. A banda construiu uma base fiel no circuito independente, atravessou festivais, rodou o país e dividiu palco com nomes gigantes — inclusive em apresentações de estádio abrindo para o NX Zero. Enquanto muitos ficaram pelo caminho, eles criaram identidade própria.


O clássico Seiva (2011) virou referência para uma geração que buscava intensidade sem maquiagem. Depois vieram hiato, projetos paralelos, amadurecimento pessoal. Quinze anos depois, o retorno não soa nostálgico — soa necessário.


Hoje, formado por Teco Martins (vocal), Candinho Uba (guitarra), Gustavo Teixeira (guitarra), Rodrigo Caggegi (baixo) e Ale Iafelice (bateria), o RANCORE não tenta reviver o passado. Eles expandem.


“BRIO” já nasce com esse significado no nome: coragem, vigor, firmeza. E “A Nascente” é exatamente isso — a metáfora perfeita para uma banda que escolheu renascer em meio ao caos.



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