Mercado fonográfico e festivais dominam discussões no 4º dia do Rio2C 2026; Festivalia começou neste fim de semana
- 30 de mai.
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Cidade das Artes encerra eixos de Conferência e Mercado com debates intensos sobre o ecossistema da música, a febre dos algoritmos, os bastidores de grandes festivais e painéis com foco no streaming e na inteligência artificial
por Letícia Pinheiro, editora chefe do Vivendo de Shows

O quarto dia do Rio2C 2026 — apresentado por Petrobras e Governo do Brasil — encerramento com chave de ouro as atividades voltadas à indústria na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (29 de maio de 2026).
Sob o tema central “Code of Meaning” (“Código de Sentido”), o ecossistema da música nacional e internacional foi o grande protagonista dos palcos, preparando o terreno para a Festivalia, a programação voltada a fãs, estudantes e jovens profissionais que toma conta deste fim de semana.
No encerramento da noite, o GlobalStage foi tomado pelo heavy metal em roupagem clássica com o concerto “Black Album Sinfônico”, em que a Orquestra Petrobras Sinfônica, regida pelo maestro Felipe Prazeres, celebrou os 35 anos do icônico álbum do Metallica com violinos elétricos assumindo os solos de guitarra.
O mercado fonográfico e o desafio das carreiras globais

No palco SoundBeats, o painel “Mercado Fonográfico: Do Nicho à Estratégia Global” reuniu grandes mentes do setor sob a mediação de Adriana Ramos (diretora geral da Universal Music). Alyni Araújo (Artist & Label Manager do YouTube Brasil) destacou iniciativas de equidade e monitoramento global, como o projeto Amplify Her, e revelou o sucesso do songwriters camp realizado em Salvador, que conectou produtores e compositores do Brasil e do mundo.
O produtor musical Douglas Moda (We4 Music) trouxe insights valiosos sobre sua experiência de backstage no festival Coachella, ressaltando o forte networking e o desejo de músicos estrangeiros em produzir no Brasil. Moda defendeu o uso de músicas multilíngues para furar a bolha nacional.

“Para atingir novos mercados, como o latino ou o norte-americano, é fundamental trabalhar com outros idiomas, mesclando línguas na mesma faixa”, pontuou Douglas Moda.
A mesa também debateu a baixa adesão de artistas do funk e de nichos periféricos no Latin Grammy, além do desafio de equilibrar a identidade de nicho com o desejo de internacionalização. Diante disso, Alyni Araújo alertou que o ponto de partida deve ser sempre a clareza do próprio artista sobre seus objetivos de carreira e o respeito à sua curva de aprendizado.
Fatores cruciais de tecnologia e distribuição também ganharam força com Tony Kiewel, presidente do lendário selo norte-americano Sub Pop (que lançou o Nirvana). No painel “A Música Independente no Mundo”, Kiewel criticou duramente a dependência exclusiva de redes como Instagram e TikTok para a construção de carreiras de continuidade.
“O algoritmo decide quem será o seu público, e isso não é saudável. É muito mais importante cultivar suas próprias culturas e comunidades. É melhor ter muitos fãs que tenham, cada um, 100 seguidores engajados, em vez de apenas um seguidor com um milhão”, disparou Kiewel.
A discussão seguiu no painel “Música & IA: Céu ou Inferno”, com a cantora Céu e o produtor Felipe Vassão debatendo os impactos da inteligência artificial generativa no publishing, enquanto a trajetória de sucesso do trio Os Garotin, vencedores do Latin Grammy 2024, foi celebrada no SoundBeats 3.
Bastidores: o que move os grandes festivais na atualidade
Ainda no eixo musical, o painel “Além do Line-up e da Experiência: Os Bastidores que Movem os Grandes Eventos”, mediado por Laisa Naiane (sócia e editora-chefe do Mundo da Música), abriu a caixa-preta da produção de festivais no SoundBeats 3. Potyra Lavor, CEO da IDW, usou o Afropunk Brasil como case para explicar como uma franquia internacional precisa se nacionalizar e abraçar a cultura afro-brasileira para dialogar com o território local. O Nômade Festival e ferramentas como o Mapa dos Festivais também foram citados como fundamentais para entender a curadoria de público e marcas. Conversamos com a Potyra pós o painel. Vem conferir:
O debate trouxe um banho de realidade comercial sobre a conversão de engajamento digital em bilheteria real, alertando que números explosivos e bots em plataformas de streaming não garantem vendas de ingressos físicos. Os empresários detalharam que o formato do evento muda tudo na saúde financeira: se o show não tem o apelo de urgência para esgotar ingressos rapidamente, o festival depende de 60% a 70% de sua receita vinda de cotas de patrocínio e leis de incentivo (como a Lei Rouanet).
Os sócios-fundadores da InHaus, Juliano Libman e Luiz Restlife, pontuaram ainda que o setor de Alimentos e Bebidas (A&B) muitas vezes fica sob concessão dos estádios, não gerando receita direta para os realizadores. O consenso da mesa foi claro: o boom de shows pós-pandemia exige, acima de tudo, planejamento rigoroso, e não apenas o tamanho do estádio.
Outros destaques: jornalismo, cinema, Podpah e política

Embora a música tenha ditado o ritmo, o Rio2C abriu espaço para outros encontros marcantes:
Caco Barcellos: no Writers Room, o consagrado jornalista defendeu o desprendimento do ego e a escuta ativa: "Falta consciência da ignorância. Nada melhor do que a consciência da ignorância para nos fazer escutar de verdade."
Amyr Klink e Carlos Saldanha: apresentaram no GlobalStage o primeiro teaser oficial do longa-metragem “100 Dias”, que reconta a travessia a remo do navegador pelo Atlântico e tem estreia cravada nos cinemas para 29 de outubro.
Podpah e Cultura Pop: no StoryVillage, Mítico explicou que o segredo de audiência do canal está no acolhimento informal dos convidados. Já no Arts&Crafts, o artista Pedro Vinicio debateu o impacto dos memes como patrimônio da cultura popular contemporânea.
Skate e Neurofitness: Sandro Dias (Mineirinho) debateu no SportsON como o treinamento cognitivo ajuda atletas de alto rendimento e executivos a tomarem decisões sob extrema pressão de risco.
No encerramento das atividades de mercado, o CEO do Rio2C, Rafael Lazarini, celebrou a maturidade de produção e a internacionalização do evento ao receber um prêmio da World Creativity Organization.
A programação continuou neste sábado (30 de maio) com o presidente Lula e a ministra Margareth Menezes lançando a plataforma pública de streaming Tela Brasil e assinando o decreto da Política Nacional de Economia Criativa. O fim de semana será totalmente dedicado à Festivalia, trazendo oficinas de games, realidade virtual e painéis com Gregório Duvivier, Karol Conká e Denise Fraga, além da recém-anunciada participação de Ana Paula Renault (vencedora do BBB 26) comandando o encerramento no domingo.
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