Jão alcança maturidade e profundidade pop no romântico e confessional "Memórias Póstumas"
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Quinto álbum de estúdio do cantor paulista se inspirou em Machado de Assis, abordou o luto pela perda do pai e trouxe arranjos ricos com participações de veteranos da MPB
Por Patricia Burlamaqui, para a Vivendo de Shows.

Prestes a completar dez anos desde sua estreia no mercado fonográfico, o cantor e compositor Jão deu o passo mais ambicioso e maduro de sua trajetória. Lançado no último domingo, 26 de julho de 2026, "Memórias Póstumas" é o seu quinto álbum de estúdio e o consolidou definitivamente no patamar mais elevado do pop adulto brasileiro.
Composto e produzido em um período de pausa dos palcos e recolhimento digital, o trabalho foi atravessado por temas viscerais de transitoriedade, luto e espiritualidade, em grande parte desencadeados pela perda recente de seu pai.
Luto, literatura e o amor nos detalhes
Diferente da tetralogia conceitual amarrada aos quatro elementos naturais (terra, ar, água e fogo) que conduziu seus lançamentos anteriores, "Memórias Póstumas" se desenhou como uma obra mais aberta e complexa. O título fez referência direta ao clássico de Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas), cujos versos e imagens literárias pontuaram a narrativa do disco — inclusive na faixa-título que encerrou o projeto.
"Neste disco, a vida e a literatura são a mesma coisa. Quando comecei a escrever, eu precisava usar as palavras para dar novos significados às coisas", refletiu Jão. A partida do pai do artista foi o ponto central de faixas como a visceral "Catedral", que abordou a finitude e o legado familiar, incluindo áudios com vozes de seus pais e amigos registrados no final de sua última turnê.
Para dar forma ao mar de composições — que chegou a somar 68 faixas escritas antes do filtro final para 14 —, o cantor buscou inspiração em obras marcantes como o lendário “Ray of Light” (Madonna), “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor” (Marisa Monte) e o “MTV Acústico” da banda Kid Abelha.
Inovações na produção e time de mestres da MPB
Jão assinou a autoria de 13 das 14 faixas do repertório e assumiu a produção musical de todo o disco, dividindo a maioria das faixas com seu parceiro habitual Zebu (Guilherme Santos Pereira), além de contribuições de Janluska e Gabriel Duarte. A grande novidade nos bastidores foi a adição da instrumentista Érica Silva nos baixos e violões e a delicada presença de flautas barrocas tocadas por Audryn Souza, conferindo um charme singelo ao arranjo de faixas como "Por Você" e "Aurora".
A única música que não trouxe a assinatura de Jão na composição foi a romântica e sentimental "João", escrita inteiramente por Pedro Tófani, seu namorado e diretor criativo. A faixa tratou de idas e vindas de um casal contemplando planos de futuro com o lirismo de grandes mestres da música brasileira.
Outro ápice de produção ocorreu na grandiosa "O Amor", onde Jão e Zebu dividiram os créditos com o veterano produtor Marco Mazzola. A faixa contou com uma banda de apoio lendária: Rick Ferreira (fiel guitarrista e violonista de Raul Seixas) nos violões de aço e o baixista Paulo César Barros (fundador da banda Renato & Seus Blue Caps), emoldurados por um marcante coral de vozes e seção de metais com trompete e flugelhorn de Diogo Mandu Duarte.
Ficha Técnica: "Memórias Póstumas"
Artista: Jão
Lançamento: 26 de julho de 2026
Gravadora: Universal Music Brasil
Composição: Jão (13 faixas) e Pedro Tófani
Produção Musical: Jão, Zebu, Janluska, Gabriel Duarte e Marco Mazzola
Fotografia de Capa: Hugo Comte
Onde ouvir: Disponível em todas as plataformas de streaming digitais.
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