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Jack White de volta com dois lançamentos — e zero interesse em ser previsível

  • 7 de abr.
  • 3 min de leitura

Entre riffs sujos e tensão calculada, Jack White reafirma seu lugar como um dos nomes mais inquietos e imprevisíveis do rock atual por Leticia Pinheiro, para o Vivendo de Shows

Foto: David James Swanson 
Foto: David James Swanson 

Se alguém achou que Jack White ia dar uma desacelerada depois de décadas redefinindo o rock, errou feio. O cara voltou com duas faixas novas — “G.O.D. And The Broken Ribs” e “Derecho Demonico” — e, como de costume, não entregou nada óbvio.

Aqui não tem tentativa de hit fácil. Tem tensão, sujeira, groove quebrado e aquela sensação de que a música pode desandar a qualquer momento — mas nunca desanda. White segue brincando no limite do caos com controle absoluto.

Duas faixas, dois climas (e o mesmo DNA inquieto)

O vinil de 7” em edição limitada nas cores tri-color e preto está à venda em thirdmanrecords.com e nas lojas da Third Man em Nashville, Detroit e Londres. O vinil preto de 7” chega às lojas de discos independentes do mundo todo nesta semana.
O vinil de 7” em edição limitada nas cores tri-color e preto está à venda em thirdmanrecords.com e nas lojas da Third Man em Nashville, Detroit e Londres. O vinil preto de 7” chega às lojas de discos independentes do mundo todo nesta semana.


“G.O.D. And The Broken Ribs” vem mais arrastada, pesada, quase ritualística. É daquelas que você sente mais do que entende na primeira audição.

“Derecho Demonico” puxa pra um lado mais nervoso, urgente, com riffs que parecem correr contra o tempo. É crua, direta e com aquela assinatura meio torta que só ele consegue sustentar sem soar bagunça. Produzidas por White com o apoio de sua banda ao vivo – Patrick Keeler (bateria), Dominic Davis (baixo) e Bobby Emmet (teclados) –, “G.O.D. and the Broken Ribs” e “Derecho Demonico” marcam a primeira música nova do conduzido ao Rock & Roll Hall of Fame em 2024, ano marcado pelo lançamento do aclamado No Name. Sexto álbum de estúdio de White, o projeto foi homenageado com uma indicação ao GRAMMY® Award de 2025 na categoria melhor álbum de rock – a 34ª indicação na carreira solo de White e a 46ª no total, além de 16 vitórias no total do GRAMMY® Award. No Name inclui os singles que foram sucesso nas rádios americanas, “That’s How I’m Feeling” e “Archbishop Harold Holmes”, este último acompanhado por um videoclipe oficial eletrizante estrelado pelo lendário ator John C. Reilly como o personagem-título, que já acumula mais de 3,1 milhões de visualizações no mundo todo apenas no YouTube.


SNL como palco de reafirmação

White apresentou as músicas na sua sexta passagem pelo Saturday Night Live — e não foi só mais uma performance. Foi aquele tipo de aparição que lembra por que ele ainda é referência.


Entre uma distorção e outra, ficou claro: ele não tá revisitando o passado. Tá expandindo.

A passagem pelo SNL ainda contou com uma participação mais do que especial no smash hit "Seven Nation Army" e na clássica “Rockin’ in the Free World”, de Neil Young, com ninguém menos que Jack Black, parceiro de longa data.


Fase prolífica (e sem freio)

As novas faixas chegam depois do álbum No Name, que já tinha colocado White de volta no radar, com indicação ao GRAMMY e uma sequência de turnês intensas.

E mesmo depois de rodar o mundo, Jack continua produzindo, lançando, escrevendo e, principalmente, mantendo a estética dele intacta: artesanal, imprevisível e meio anti-indústria. Além disso, outubro de 2024 viu a publicação oficial de Jack White Collected Lyrics and Selected Writing Volume 1, já disponível em thirdmanbooks.com, nas lojas físicas da Third Man e em livrarias nos Estados Unidos e no Reino Unido. Editado pelo cofundador da Third Man Records, Ben Blackwell, a nova antologia histórica apresenta poemas e escritos inéditos de White, fotos raras e exclusivas e novos ensaios escritos especialmente para este livro por Blackwell, pelo premiado poeta indicado ao Prêmio Pulitzer e ao National Book Award Adrian Matejka e pela premiada cineasta e escritora radicada em Detroit, Dream Hampton. Também compila letras de todas as gravações solo de White até o momento, bem como seu aclamado trabalho com The Raconteurs, The Dead Weather e outras colaborações.

Jack White não voltou tentando agradar geral. Voltou sendo ele mesmo. O que, hoje em dia, já é quase um ato revolucionário.

Se você quer algo confortável, talvez não seja aqui. Mas se quer rock com risco, textura e personalidade… pode dar play sem medo.

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