Gugs lança “Fruto da Terra” da Jamaica Brasileira
- 2 de jun.
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Com participações de Mad Professor, Fauzi Beydoun, Célia Sampaio e Rosy Valença, álbum celebra a força do reggae maranhense e sua conexão com o mundo.
Por Juan Nobre, da Macete Music, para o Vivendo de Shows.

Existe um Maranhão que pulsa ao som das radiolas, onde o reggae atravessa bairros, praias, quintais, clubes e ruas como parte da identidade cultural de seu povo. É desse território, conhecido mundialmente como Jamaica Brasileira, que nasce “Fruto da Terra”, novo álbum de Gugs.
Diretamente de São Luís, o artista transforma a experiência do reggae maranhense em uma linguagem contemporânea, aproximando reggae roots, rub-a-dub, dancehall, dub, afrobeat e hip hop sem abrir mão da cadência quente e ritualística que marca a relação histórica da capital maranhense com o gênero.
“Quem nasce em São Luís cresce ouvindo reggae. É uma música que toca nas ruas, nos bairros, nos carros e dentro das casas. Fruto da Terra nasce justamente dessa vivência coletiva da Jamaica Brasileira”, afirma Gugs.
Ao longo de 12 faixas, o disco mergulha em temas como espiritualidade, identidade, permanência e memória afetiva. Inspirado pelas tradicionais “pedras”, pelos rewinds das radiolas e pela cultura sound system que moldou gerações em São Luís, o álbum constrói uma ponte entre tradição e contemporaneidade.
Mais do que uma coleção de músicas, “Fruto da Terra” funciona como uma experiência imersiva dentro da cultura reggae do Maranhão. A Intro e o Interlúdio atuam como fios condutores da narrativa por meio das falas de DJ Netto Myller, figura histórica da cena reggae maranhense. Sua participação conduz o ouvinte pela atmosfera dos clubes de reggae da cidade, como se cada faixa estivesse sendo apresentada ao vivo por uma radiola.
Reconhecido como um dos nomes mais relevantes da música maranhense contemporânea, Gugs desenvolve desde 2009 uma trajetória marcada pelo encontro entre rap, reggae e sonoridades afro-diaspóricas conectadas às raízes afro-indígenas, jamaicanas e amazônicas. Após o lançamento de “Mudando o Final da História”, em 2024, trabalho que ampliou seu alcance nacional ao lado de artistas como Zeca Baleiro, Rapadura e Mateus Fazeno Rock, o músico voltou-se para um processo criativo mais íntimo dentro do estúdio Coisa Nossa, selo e espaço cultural fundado por ele em São Luís.
As participações especiais surgem como extensões naturais dessa caminhada. Em “Segura a Pedra”, Rosy Valença e Fauzi Beydoun celebram a tradição reggae da ilha. Já “Não Desista”, com Célia Sampaio, transforma fé e resistência em uma mensagem coletiva de esperança. Victor Cena e Nairond dividem espaço em “Atins Mo Fya”, enquanto Klicia participa de “Daquele Jeito”, faixa que combina espiritualidade e cultura local sobre uma batida steppa dançante.
O álbum também reserva momentos de suavidade. Em “Eu e Tu”, parceria com Gill Enes, o ritmo desacelera para dar lugar a uma love song embalada pela atmosfera litorânea de São Luís. Já em “Não Pega”, o encontro entre Mad Professor, Joe Ariwa e Casa 13 conecta Maranhão, Jamaica e Londres dentro da mesma vibração dub.
Ao aproximar referências locais de uma linguagem global, “Fruto da Terra” reafirma São Luís como um dos territórios mais vivos da cultura sound system no Brasil. Um trabalho que honra suas raízes enquanto projeta o reggae maranhense para novas conexões ao redor do mundo.
“O reggae que nasce em São Luís também conversa com o mundo. Fruto da Terra fala sobre essa conexão entre território, memória e uma linguagem que ultrapassa fronteiras”, conclui Gugs.
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