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Ge Nunes apresenta o álbum “BoomBox”

  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Com sete faixas, trabalho transita entre trap, R&B, pop e funk e transforma referências dos anos 2000 em uma narrativa sobre identidade, autoestima, protagonismo feminino e liberdade de expressão.


Por Juan Nobre, da Macete Music, para o Vivendo de Shows.


Foto: Niel
Foto: Niel

Ge Nunes apresenta “BoomBox”, seu novo disco e um marco em sua trajetória artística. Com sete faixas, o projeto revisita elementos que atravessaram sua formação, da cultura Hip Hop ao streetwear, passando pela estética pop que marcou os anos 2000, e transforma essas referências em uma linguagem própria.


O título traduz essa proposta. A boombox faz parte da memória afetiva de Ge e foi um de seus primeiros elos com o Hip Hop, além de representar um imaginário de desejo e representatividade presente nos videoclipes e nas vivências daquela década. No disco, o objeto deixa de ser apenas uma referência visual e passa a funcionar como metáfora para uma caixa que reúne diferentes vozes, experiências e versões da cantora.


“Eu cresci muito influenciada pela estética dos anos 2000, pela MTV, pelo Hip Hop, pelo streetwear e por todo aquele universo pop. Tudo isso faz parte da minha formação e acabou aparecendo naturalmente em BoomBox, tanto na sonoridade quanto no conceito do projeto. Beyoncé, Rihanna, Aaliyah e Ciara são mulheres que me inspiraram muito e fazem parte da minha história. Hoje, também tenho a Victoria Monét como uma referência importante. Acho que BoomBox é justamente essa mistura de tudo que me formou com quem eu sou agora”, afirma a artista.

A ideia de multiplicidade também aparece na construção das três personas que atravessam o disco. Liza representa a sensualidade, a ostentação e o lado pop. Naomi se conecta ao streetwear, à atitude e às experiências de luta e trajetória. Já Ge reúne essas características e representa a artista em sua totalidade. Mais do que personagens distintas, elas revelam diferentes dimensões de uma mesma mulher.


A abertura do álbum apresenta justamente Naomi. Na faixa homônima, que conta com a participação de Kaio Viana, Ge constrói uma atmosfera sensual para falar sobre autenticidade e conexão. Em “Pop”, terceira faixa do disco, a artista assume uma postura ainda mais afirmativa e transforma poder, ostentação e confiança em elementos de sua própria narrativa.


Já “Onde” funciona como um dos manifestos dessa nova fase. A música parte do reconhecimento de quem se é para reivindicar espaço e apresenta, de forma direta, uma das ideias centrais de “BoomBox”: ocupar o próprio lugar sem abrir mão das diferentes partes que compõem sua identidade.


Em “Gostosa”, Ge leva essa afirmação para a própria criação. Quinta faixa do disco, a música foi composta integralmente pela artista e traduz em som a confiança em sua singularidade.


O encerramento fica por conta de “Sober”, cantada integralmente em inglês. A faixa amplia o alcance do trabalho e apresenta outra dimensão da artista, que experimenta diferentes idiomas sem perder a identidade construída ao longo do álbum.


Mais do que revisitar uma época, “BoomBox” transforma memórias, influências e experiências pessoais em matéria-prima para uma nova etapa da trajetória de Ge Nunes. A relação com a música e com a arte, assim como a influência de sua mãe, irmã e pai, atravessa esse processo e ajuda a construir um disco que reúne passado e presente para afirmar, acima de tudo, quem a artista é hoje.

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