Edgar rebobina a própria história em REWIND
- há 10 horas
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Entre graves profundos e raízes revisitadas, Edgar transforma retorno em potência e reposiciona sua sonoridade no presente. por Leticia Pinheiro, para a Macete Music

Tem artista que muda de som pra acompanhar tendência. Edgar fez o contrário: voltou pra raiz — e REWIND nasce exatamente dessa decisão.
O novo álbum é um reposicionamento. Edgar puxa o reggae, o dub e a cultura de sound system pro centro da narrativa, mas sem abandonar o que construiu até aqui. É como se ele reorganizasse a própria discografia a partir da base.
Grave na frente
Aqui, o grave manda como protagonista. REWIND funciona melhor quando você sente o som no corpo, não só no fone.
A estética do sound system aparece não só no som, mas na ideia: música como experiência coletiva, de rua, de resistência. E isso dá um peso político sutil, sem precisar ser panfletário.
Menos discurso, mais sensação
Edgar até fala de temas densos — periferia, violência, vivência — mas dessa vez ele escolhe outro caminho: menos mensagem direta, mais atmosfera.
Faixas como “Pode Até Tentar” já abrem o disco nesse tom de afirmação meio torta, enquanto “Copy With Guns” e “Mão Pro Alto” tensionam sem gritar. Já “Baila Loko” e “Beija e Abraça” expandem o território, trazendo outras referências latinas e populares.
E quando chega em “Zum, Zum, Zum”, o conceito fecha bonito: revisitar o passado com outra lente.
Independente, maduro e sem pressa
O disco tem cara de quem não tá tentando provar nada. Produção coletiva, participações pontuais, mistura de idiomas… tudo soa orgânico.
Edgar parece confortável em fazer música do jeito dele — e isso, hoje, já é diferencial.

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