Braza retorna ao Circo Voador com baile que celebra dez anos de trajetória e novas sonoridades
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Show na Lapa reúne diferentes vertentes do reggae e da cultura soundsystem em uma noite que mistura celebração, pista e experimentação musical
Por Patricia Burlamaqui, para a Vivendo de Shows.

No próximo sábado, o palco do Circo Voador volta a receber o Braza, em uma apresentação que marca não apenas o retorno à casa, mas também um momento simbólico na trajetória do grupo: os dez anos de carreira. A noite, batizada de “Baile Cítrico”, propõe uma experiência que vai além do formato tradicional de show, incorporando a lógica da pista e a fluidez das festas de sound system.
Formado por Danilo Cutrim, Nícolas Christ, Pedro Lobo e Vitor Isensee, o Braza surgiu após o fim do Forfun e consolidou, ao longo da última década, uma identidade própria ao transitar entre reggae, dub, rap e música brasileira contemporânea. O álbum mais recente, Baile Cítrico Utrópico Solar, aponta para uma fase mais madura, em que a banda amplia referências e experimenta novas camadas sonoras, sem abandonar o caráter coletivo que sempre marcou seus shows.
A escolha do Circo Voador não é casual. A lona da Lapa funciona como espécie de território afetivo para o grupo e seu público — um espaço onde a relação entre palco e plateia tende a se dissolver. É justamente essa proximidade que o “baile” busca potencializar. A proposta é transformar o concerto em uma experiência contínua, em que repertório e pista se misturam, alternando momentos de canto coletivo com trechos mais voltados à dança.
O setlist deve equilibrar faixas do disco mais recente com músicas de trabalhos anteriores, refletindo a trajetória da banda e sua capacidade de dialogar com diferentes fases do público. Ao vivo, o Braza costuma reforçar o peso das linhas de baixo e explorar efeitos que remetem ao dub jamaicano, criando um ambiente imersivo que ganha força na acústica e na atmosfera do Circo.
A abertura da noite fica por conta de Helio Bentes, conhecido por sua atuação à frente do Ponto de Equilíbrio e por sua contribuição à difusão do reggae no Brasil. Com o projeto Original Helio Bentes, o artista celebra uma década de carreira solo enquanto aponta para novos caminhos, incorporando influências do afrobeat e do chamado Africa Fusion. A apresentação também serve como vitrine para material inédito, sinalizando um momento de renovação estética.
Nos intervalos, a pista permanece ativa com as seleções de DJ Tamenpi e Rootscidade Selecta, nomes ligados à cultura soundsystem. A presença de Rootscidade, reconhecida por sua atuação pioneira na cena, reforça a dimensão coletiva e política desse tipo de evento, historicamente associado à ocupação cultural e à valorização de heranças afro-diaspóricas.
Mais do que um simples retorno aos palcos cariocas, o Baile Cítrico se apresenta como um retrato de um momento específico da música independente brasileira: artistas que, após consolidarem suas bases, passam a experimentar formatos híbridos e a repensar a relação com o público. No caso do Braza, essa busca se traduz em um show que não se limita à performance musical, mas se aproxima de uma celebração compartilhada — onde ouvir e dançar se tornam partes de um mesmo gesto.
Serviço
📅 Data: Sábado, 11 de abril de 2026
🕗 Horário: Abertura dos portões às 20h
📍 Local: Circo Voador
🎤 Atrações: Braza, Helio Bentes (Original Helio Bentes), DJ Tamenpi e Rootscidade Selecta
💰 Ingressos:
• A partir de R$ 70 (meia-entrada e ingresso solidário)
• R$ 140 (inteira)
🎫 Vendas:
• Online: Eventim
• Bilheteria do Circo (2h antes da abertura)
🔞 Classificação: 18 anos (14 a 17 anos apenas acompanhados pelos responsáveis)

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