top of page

boasorte abraça o noise rock e o cotidiano no single “Amiga do Tempo”

  • 7 de jul.
  • 2 min de leitura

Produzido por Roberto Kramer, faixa lançada na última semana marca a despedida oficial do elogiado álbum de estreia "Indelével" e joga o quarteto paulista em uma engrenagem experimental inspirada na poesia marginal por Redação Vivendo de Shows

boasorte por Isadora Vianna @vianna_isa
boasorte por Isadora Vianna @vianna_isa


Diferente do cartão de visitas da banda paulista boasorte, que foi moldado por linhas melódicas seguras em seu primeiro trabalho, o grupo acaba de sintonizar uma frequência completamente nova, áspera e disruptiva. Lançado na última sexta-feira, 3 de julho, o single “Amiga do Tempo” já está ecoando nos principais aplicativos de streaming e despertando a atenção do circuito alternativo. Mais do que uma novidade nas plataformas, a faixa funciona como um manifesto de transição: é o rito de passagem que encerra o ciclo do elogiado disco de estreia “Indelével” (2024) e abre alas para o próximo álbum de inéditas do quarteto.


Gravada em apenas duas sessões de estúdio, a canção teve um parto febril e urgente. Foi composta em uma única noite ainda em 2023 e lapidada sob o desapego da espontaneidade. Sob a assinatura de produção de Roberto Kramer — nome de confiança dos bastidores do selo indie nacional e colaborador de bandas como Terno Rei, Paira e Jovens Ateus —, a boasorte chuta para longe a zona de conforto e mergulha de cabeça nas texturas densas e dissonantes do rock alternativo e do noise rock.

A crueza da poesia marginal e o caos das horas

Para além das guitarras distorcidas e síncopes experimentais, a arquitetura lírica de “Amiga do Tempo” bebe diretamente na fonte literária de Ana Cristina Cesar, um dos maiores e mais viscerais expoentes da poesia marginal dos anos 1970 no Brasil. A crueza sensível da poetisa carioca reverbera na forma como a banda decide narrar o cotidiano. A letra parte de elementos absolutamente banais e domésticos da nossa rotina para, logo em seguida, puxar o tapete do ouvinte e mergulhá-lo em reflexões existenciais sobre o tempo e a nossa ilusão de controle sobre a vida.

O processo criativo no estúdio valorizou o erro e o imprevisto como combustíveis estéticos. Elementos que surgiram de improviso nos ensaios acabaram sendo mantidos na mixagem final para dar mais verdade à obra, a exemplo do desfecho minimalista e cru em que a vocalista Ingrid Rocha completa o último verso em formato quase falado.

“É como se a banda estivesse queimando a própria pele antiga para nascer mais viva nessa próxima fase”, definem os integrantes, sintetizando o atual momento criativo do projeto.

Nova formação e os horizontes na estrada

Atualmente consolidada sob uma formação atualizada que potencializa o uso de sintetizadores e texturas de cordas, a boasorte é defendida por Ingrid Rocha (voz, guitarra e synth), Marina Izaac (bateria e synth), Pedro Macedo (guitarra e synth) e Rodrigo Fukuda (baixo).

O lançamento de “Amiga do Tempo” no início deste mês serve para pavimentar a nova identidade sonora que guiará o grupo na estrada no segundo semestre de 2026. O single funciona como o encerramento perfeito de um ano de estreia vitorioso e indica que, nos próximos meses, o quarteto paulista está pronto para desbravar palcos e territórios ainda maiores na cena de rock independente nacional.

Comentários


bottom of page