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Algoritmos confundem o gosto musical: brasileiros entram em crise de identidade sonora, aponta estudo

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Levantamento da Heineken com a Box1824 revela que quase metade da população já não distingue preferências próprias de recomendações automatizadas


por Letícia Pinheiro, editora-chefe do Vivendo de Shows


A forma de consumir música no Brasil mudou e não foi pouco. Um novo estudo da Heineken em parceria com a Box1824 acende um alerta: os algoritmos estão bagunçando a percepção de gosto musical dos brasileiros.

Segundo o levantamento “Reset da Mesmice”, 60,9% das pessoas afirmam que plataformas como Spotify, YouTube e TikTok são hoje a principal porta de entrada para descobrir músicas. Até aí, beleza. O problema vem depois: 49,2% já não sabem diferenciar o que realmente gostam do que foi empurrado por essas recomendações.

Em outras palavras: o algoritmo virou DJ… e talvez esteja tocando mais por ele do que por você.

Esse efeito vai além do play. Um em cada quatro brasileiros sente que seu gosto musical está ficando mais genérico, enquanto 7 em cada 10 dizem ter perdido o hábito de explorar músicas por conta própria. A sensação é de estar preso em uma bolha sonora confortável mas previsível.

Para Francisco Formagio, pesquisador da Box1824, o ponto é direto: quando a recomendação vira padrão, a curiosidade vai embora. O algoritmo resolve o excesso, mas também reduz o espaço para o inesperado - e é aí que a mágica da descoberta começa a morrer.

Mas nem tudo está perdido.

O estudo mostra que a música ao vivo ainda escapa dessa lógica engessada. Para 46,5% dos entrevistados, shows oferecem uma conexão que nenhum algoritmo consegue replicar. E mais: festivais aparecem como território fértil pra descobrir sons novos fora do “mais do mesmo”.

É nesse contexto que iniciativas como o Heineken No Line Up ganham força, apostando na curadoria humana e no fator surpresa — aquele momento em que você descobre um som novo sem nem saber que precisava dele.

E talvez seja exatamente isso que esteja voltando: a vontade de sentir, e não só consumir. Hoje, 31,1% dos brasileiros dizem querer reduzir a dependência de recomendações automáticas como parte do próprio bem-estar.

O algoritmo facilita mas também vicia. E tem uma galera já querendo sair desse loop e voltar a garimpar música do jeito raiz: no susto, no acaso, no feeling. Uma forma de escapar desse looping algorítmico é voltar pro básico — e, ao mesmo tempo, ir mais fundo. Consumir vinis, por exemplo, muda completamente a relação com a música: você ouve um álbum inteiro, respeita a ordem, presta atenção nos detalhes. Mergulhar em artistas antigos e, melhor ainda, nas referências desses próprios artistas, abre um mapa infinito de descobertas que não dependem de sugestão automática. É tipo sair do feed e entrar numa escavação musical: quanto mais você cava, mais encontra — e tudo com mais intenção e menos piloto automático.


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