10 produções para assistir na Filmicca no Dia Nacional da Visibilidade Trans
- Rebeca Morais
- há 2 horas
- 6 min de leitura
Seleção de obras de diversos países vai do documentário à ficção e enaltece a diversidade. Acesse o catálogo completo aqui
Por Rebeca Morais, para o Vivendo de Shows
Editoria: Vivendo de Cinema

Em diálogo com essa data e com o objetivo de amplificar vozes e perspectivas diversas, a FILMICCA reúne uma seleção de dez produções, entre ficções e documentários, de diferentes países. As obras apresentam múltiplos olhares sobre as vivências e resistências da comunidade trans ao redor do mundo.
A ação da plataforma brasileira destaca a pluralidade da comunidade trans, os avanços importantes já conquistados, os desafios ainda enfrentados e a busca por direitos plenamente garantidos.
Confira:
INFERNINHO (2018)
Pedro Diógenes, Guto Parente
Brasil

Em "Inferninho" (2018), os diretores Pedro Diógenes e Guto Parente se unem para contar a história de amor entre Deusimar e Jarbas, interpretados por Yuri Yamamoto e Demick Lopes, respectivamente.
Deusimar é a dona do Inferninho, bar que é um refúgio de sonhos e fantasias. A personagem transsexual quer deixar tudo para trás e ir embora, para um lugar distante. Jarbas, o marinheiro que acaba de chegar, sonha em ancorar e fincar raízes. O amor que nasce entre os dois vai transformar por completo o cotidiano do bar.
"Inferninho" estreou mundialmente em 2018 no Festival Internacional de Cinema de Roterdã e percorreu importantes festivais internacionais, como BFI Flare (Londres), Queer Lisboa (Portugal), Filmfest München (Alemanha) e BAFICI (Argentina).
TANGERINE (2015)
Sean Baker
Estados Unidos

Vencedor do Oscar por "Anora" (2024), Sean Baker apresenta em "Tangerine" (2015), um drama filmado com iPhones 5s que conta a história da transsexual Sin-Dee Rella, interpretada por Kitana Kiki Rodriguez.
Após sair da prisão, a personagem descobre, através de sua melhor amiga Alexandra (Mya Taylor), que está sendo traída pelo namorado e agenciador Chester (James Ransone). Sin-Dee parte então em busca de Chester e sua amante, a cisgênero Dinah (Mickey O'Hagan).
Descrito pela revista Variety como "um retrato exuberantemente cru e íntimo de uma das subculturas mais singulares do comércio sexual de Los Angeles", o filme, exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de Sundance de 2015, revela uma cidade diversa e melancólica ao acompanhar a intensa jornada de Sin-Dee Rella.
FABIANA (2018)
Brunna Laboissière
Brasil

Recém-chegado à FILMICCA, "Fabiana" (2018) é o documentário de Brunna Laboissière que acompanha a trajetória de uma mulher trans que viveu como caminhoneira nômade, cruzando o Brasil pelas estradas durante mais de trinta anos.
Ao percorrer estados como Goiás, Tocantins, Pará, Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, o filme registra a última viagem de Fabiana antes da aposentadoria, encerrando um ciclo marcado por três décadas de estrada.
O filme teve sua estreia em junho de 2018, no Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, e seguiu uma trajetória por importantes festivais nacionais e internacionais. Entre eles estão o Festival Internacional de Cinema de Roterdã, o IndieLisboa, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o 51º Festival de Brasília.
LOLA E O MAR (2020)
Laurent Micheli
Bélgica, França

Com direção de Laurent Micheli, "Lola e o Mar" (2020) apresenta a história de Lola (Mya Bollaers, em seu primeiro papel), uma jovem mulher trans, vive na cidade com seu melhor amigo Samir (Sami Outalbali de "Sex Education") e estuda para seu diploma como assistente de veterinária. Encorajada por sua transição e mudança de vida, com apoio de sua mãe, ela tem o mundo a seus pés sem planos de olhar para trás.
Quando Lola recebe a notícia de que sua mãe faleceu repentinamente, ela volta para casa para o funeral e para enfrentar seu pai distante, Phillipe (Benoît Magimel de "A Professora de Piano"). Impulsionados pelo objetivo comum de cumprir os últimos desejos de sua mãe, Lola e Phillipe embarcam relutantemente em uma jornada para o Mar do Norte.
Escrito e dirigido com sensibilidade por Laurent Micheli, o filme foi indicado ao César de Melhor Filme Internacional.
UÝRA – A RETOMADA DA FLORESTA (2022)
Juliana Curi
Brasil

No documentário brasileiro "Uýra – A Retomada da Floresta" (2022), a diretora Juliana Curi acompanha Uýra, artista trans indígena que percorre a Amazônia em uma jornada de autoconhecimento e resistência. Por meio da arte performática e de saberes ancestrais, Uýra dialoga com jovens indígenas, ao mesmo tempo em que confronta o racismo estrutural e a transfobia presentes na sociedade brasileira.
A partir da arte e da educação, Uýra impulsiona um movimento coletivo que promove união e reverbera tanto entre pautas LGBTQIAPN+ quanto ambientalistas, no coração da floresta. Suas performances se ancoram nos ciclos ecológicos como metáfora das lutas sociais: da devastação do solo e da violência contra a vida ao surgimento de novas plantas, que brotam com força e anunciam a possibilidade de um ecossistema, e de um futuro, mais justo e renovado.
DORIAN GRAY NO ESPELHO DOS TABLOIDES (1984)
Ulrike Ottinger
Alemanha

Em "Dorian Gray no Espelho dos Tabloides" (1984), a cineasta alemã Ulrike Ottinger reimagina a figura clássica criada por Oscar Wilde em "O Retrato de Dorian Gray" para construir uma crítica feroz à mídia e à cultura sensacionalista.
Na narrativa, o magnata da comunicação Dr. Mabuse (Veruschka von Lehndorff) instrumentaliza Dorian Gray como produto midiático, fabricando escândalos e manipulando sua imagem para alimentar o consumo voraz dos tabloides. Nesse processo, a identidade do personagem deixa de ser essência e passa a existir como performance exposta e controlada.
Profundamente ligado ao cinema queer, o filme estabelece um diálogo direto com a experiência trans ao questionar noções de gênero e identidade. Ao tratar o corpo como artifício e a identidade como construção pública, Ottinger antecipa debates centrais sobre transgeneridade, visibilidade e violência simbólica, fazendo de "Dorian Gray no Espelho dos Tabloides" uma obra-chave para leituras trans.
O LUGAR SEM LIMITES (1978)
Arturo Ripstein
México

Protagonizado por Roberto Cobo, Lucha Villa, Fernando Soler, Gonzalo Vega, Ana Martín e Carmen Salinas e com direção de Arturo Ripstein, o drama "O Lugar Sem Limites" (1978) direciona suas lentes a um bordel de uma pequena cidade, onde vivem Manuela (Roberto Cobo), uma travesti, e Japonesita (Lucha Villa), uma jovem prostituta filha de Manuela.
Don Alejo (Fernando Soler), o antigo chefe local, quer comprar o bordel para vendê-lo a um consórcio junto com o resto da cidade. O retorno de Pancho (Gonzalo Vega), jovem caminhoneiro afilhado de Dom Alejo, desencadeia tensões entre a mãe e a filha.
No ano de seu lançamento, "O Lugar Sem Limites" foi escolhido pelo México como representante do país na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, na 51ª edição da premiação. Já em julho de 2018, o longa voltou a ganhar destaque ao integrar a seleção da seção Clássicos de Veneza, no 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza.
O QUE É UMA MULHER? (2020)
Marin Håskjold
Noruega

Dirigido pela norueguesa Marin Håskjold, o curta-metragem "O que é uma Mulher?" (2020) traduz para a tela um drama vivido cotidianamente por muitas pessoas trans, a partir de uma situação tão real quanto dolorosa.
Em apenas 14 minutos, o filme acompanha a discussão que se inicia em um vestiário feminino quando uma mulher trans é convidada a se retirar do espaço. O conflito se intensifica à medida que outras pessoas se envolvem, revelando uma multiplicidade de vozes e visões conflitantes sobre o que, afinal, define uma mulher.
GENDERBLEND (2017)
Sophie Dros
Holanda

Documentário holandês dirigido por Sophie Dros, "Genderblend" (2017), que significa "mistura de gênero" em português, apresenta história sobre cinco jovens que não se identificam como homem ou mulher, mas se posicionam em algum lugar no meio destes dois gêneros. Todos os dias eles são confrontados por serem diferentes, mas têm orgulho de ser quem são. Todos os jovens deste filme têm suas próprias lutas, mas juntos contam uma história forte sobre aceitação.
O filme lida com a curiosidade, interesse e incompreensão de qualquer coisa fora da norma de gênero convencional. O sexo de todos não é realmente "fluido"? Não seria libertador se pudéssemos quebrar a mente estreita em relação ao gênero? Os cinco personagens não-binários nos fazem questionar nossa sociedade às vezes rígida e oferecer um momento de reflexão, como você é homem ou mulher? Mais do que um simples filme, "Genderblend" celebra o ser humano.
SEÑORITA (2011)
Isabel Sandoval
Filipinas

Em "Señorita" (2011), seu primeiro longa-metragem, a diretora filipina Isabel Sandoval, que também interpreta a protagonista, constrói um thriller político de viés noir ambientado nas margens sociais das Filipinas. A trama acompanha Donna, uma mulher trans e profissional do sexo que sobrevive em Manila, em um retrato tenso e atmosférico.
Desejando começar uma nova vida, Donna se muda para uma pequena cidade onde mora seu filho, que acredita que ela é sua tia. Lá, A protagonista é atraída para uma campanha popular para destituir um prefeito corrupto, mas isso se torna algo mais próximo quando ela descobre que um de seus antigos clientes é uma peça-chave no esquema da corrupção da cidade.





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